O Insurgente

Dezembro 4, 2008

Vicky Cristina Barcelona

Arquivado como: Cultura — Pedro Sette Câmara @ 4:12 pm
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Como entreouvido em Copacabana, “está diferente esse filme novo do Almodóvar!”

Novembro 7, 2008

Governar é construir pontes?

Arquivado como: Diversos — Pedro Sette Câmara @ 2:13 pm

Ponte fescenina

Mas tudo bem, talvez tenha sido a iniciativa privada.

Agosto 28, 2008

Antológico

Arquivado como: Cultura — Pedro Sette Câmara @ 2:35 am

A torcida pela China, no Coisas de idiota:

Não sei como eles combinaram, mas todos os idiotas que vêem o quadro de medalhas da Olimpíada fazem questão de comentar, bem alto e forçando uma gargalhada, o quanto estão radiantes com a vantagem da China sobre os Estados Unidos e como a derrota dos americanos, esmagadora, contundente, humilhante, é o presságio inequívoco de um amanhã livre da opressão imperialista yankee. Também não faço idéia de como essa gente conseguiu ser tão oprimida, e justamente por americanos. Quando tiveram a oportunidade? Na época da escola, americaninhos mais velhos roubavam deles o dinheiro do lanche? Nas últimas eleições municipais, candidatos americanos fizeram promessas redentoras mas, depois de eleitos graças ao nosso voto e à nossa boa fé, encheram de parentes corruptos todas as subprefeituras da cidade? Ou será que o ressentimento contra os EUA tem a ver com o Golpe de 64, resultado de sombrias articulações entre os generais Antônio Carlos Muricy (nascido em Bridgeport, Connecticut) e Olympio Mourão Filho (Springfield, Massachusetts), o capitão Carlos Alberto Brilhante Ulstra (Bloomington, Minnesota), o cardeal conservador Jaime Câmara (Fresno, Califórnia) e os governadores de New Jersey, Magalhães Pinto, e de Nebraska, Carlos Lacerda, todos secundados pela a infame Marcha da Família com Deus pela Liberdade, na qual 500 mil estadunidenses branquelos e sardentos demonstraram sua disposição de – ignorando a vontade soberana do povo brasileiro – derrubar o governo democraticamente estabelecido de João Goulart?

Ainda bem que esses abusos cometidos pelos americanos estão sendo vingados agora, e com juros, pelos campeões olímpicos chineses. Mal posso esperar pelo dia de plena prosperidade e paz em que a nação mais poderosa do planeta será uma ditadura cujo passatempo é promover execuções sumárias e cujo exército supera em número de homens a população inteira do hemisfério ocidental, mesmo contando só os generais.

Agosto 11, 2008

Reflexão zen do dia

Arquivado como: Economia — Pedro Sette Câmara @ 7:53 pm

A cada vez que eu compro um tênis Nike, salvo uma criança da fome.

Julho 17, 2008

Mais um tabu

Arquivado como: Comentário, Diversos — Pedro Sette Câmara @ 5:05 pm

Faz poucos minutos que saí da dentista. Enquanto ela me atendia, só conseguia pensar numa coisa: nossa sociedade discrimina os dentistas manetas. Então é a ausência de mãos que há de impedir um profissional dos dentes de realizar sua vocação? Não queremos que todos os membros da nossa sociedade tenham vidas plenas? Seria uma vergonha, um acinte se não pudesse ser assim - ao menos no nível em que chegamos. As pessoas que se recusassem a ir a dentistas manetas poderiam ser multadas ou mesmo presas por discriminação.

Julho 13, 2008

Pujança cultural brasileira

Arquivado como: Brasil, Cultura, Videos — Pedro Sette Câmara @ 9:39 pm

Notas ao vídeo:

1. Juscelino Kubitschek, presidente do Brasil que criou a cidade de Brasília, também tirou uma famosa foto em um Fusca (Beetle) preto na inauguração da primeira fábrica brasileira da Volkswagen.

2. No Brasil, a expressão “capô de Fusca” equivale à expressão inglesa camel toe.

3. Juscelino Kubitschek casou-se com Sarah.

4. “Sarado”, no Rio de Janeiro, é alguém em boa forma física.

Hoje em dia, se me vem a pergunta “em que os brasileiros são imbatíveis?”, devo responder: na esculhambação e na irreverência. A qual pode ser boa para desmistificar o que merece ser desmistificado, como as gentes da política. Por isso é que sinto ganas de fazer um vídeo assim sobre Evita Perón. Aquilo é uma espécie de sebastianismo argentino.

Mais engraçado que isto é uma resposta que antecipo: quem não gosta do ceticismo e da irreverência voltados à política normalmente gosta deles voltados à religião. Ora, cada coisa em seu lugar.

Respeito a Deus, e funk no Juscelino.

Maio 19, 2008

Quando é com o dinheiro dos outros…

Arquivado como: Brasil, Cultura, Portugal — Pedro Sette Câmara @ 4:57 pm

Eternamente interessado no acordo ortográfico (ao qual me oponho por razões diversas), li ontem hoje uma notícia mui interessante no UOL, da qual destaco um trecho:

O ministro brasileiro disse que quer marcar duas reuniões com a sua homóloga portuguesa, Maria de Lurdes Rodrigues, uma em Lisboa e outra em Brasília, para acertar o cronograma de implantação das medidas estabelecidas no acordo ortográfico.

Não tem e-mail no Ministério? Eles não usam Skype? Ou será que, como o acordo ortográfico ainda não saiu, é preciso que os dois burocratas vejam-se em pessoa a fim de diminuir as ambigüidades? Vai haver interpretação simultânea para este par de línguas tão mutuamente estranhas?

Abril 15, 2008

Anedota do Fórum da Liberdade

Arquivado como: Internacional, Política — Pedro Sette Câmara @ 2:48 pm

Há exatamente uma semana, durante o segundo dia do Fórum da Liberdade, houve um painel sobre o livre comércio com Tom Palmer, diretor do Centro de Promoção dos Direitos Humanos do Cato Institute (do qual faz parte o projeto em que trabalho, OrdemLivre.org), Ciro Gomes, político brasileiro, e Paulo Guedes, financista e articulista do jornal O Globo.

Vocês podem ler a cobertura oficial do painel no blog do Fórum da Liberdade, mas houve nele um momento que não foi registrado ali, e que merece ser passado adiante. Como Ciro Gomes falasse contra o livre comércio, Tom Palmer lhe disse: “Presumo que o Sr. seja um homem muito mais rico do que a média dos brasileiros. O Sr. deveria envergonhar-se. O Sr. não quer que os brasileiros mais pobres tenham acesso aos mesmos produtos que o Sr. tem.”

E eu gostaria que todos os políticos do mundo que apreciam barreiras tarifárias, favorecendo um pequeno grupo de empresários às custas da massa de consumidores, pudessem ouvir as mesmas coisas.

You should be ashamed of yourselves.

Março 15, 2008

Monopólio branco do humor?

Arquivado como: Cultura — Pedro Sette Câmara @ 8:20 pm

Stuff White People Like.

Muitos textos do blog são muito engraçados, mas sabemos que só é possível zombar assim dos brancos… Hoje o racismo só é socialmente aceitável em uma via.

Março 2, 2008

Por que Chávez quer briga

Arquivado como: Internacional — Pedro Sette Câmara @ 7:47 pm

Chávez faz caquinha e quer criar guerra para mudar o foco de atenção do povo.

Chávez manda fechar embaixada em Bogotá e mobiliza tropas na fronteira

Caracas, 2 mar (EFE).- O presidente venezuelano, Hugo Chávez, ordenou hoje o fechamento da embaixada da Venezuela na Colômbia e a mobilização de “10 batalhões” militares na fronteira entre os dois países.

Chávez reagiu assim às circunstâncias do “covarde assassinato” do porta-voz internacional das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), “Raúl Reyes”.

E isso já tinha sido previsto por Mary O’Grady no Wall Street Journal. (Não achei o artigo nos arquivos, mas achei esta reprodução)

Fevereiro 29, 2008

Contratação internacional

Arquivado como: Blogosfera, Brasil — Pedro Sette Câmara @ 2:56 pm

Caríssimos: venho por meio desta anunciar a contratação internacional de Bruno Garschagen, jornalista brasileiro, com textos publicados na Atlântico, hoje radicado em Lisboa para cursar o mestrado no Instituto de Estudos Políticos da UCP.

Bruno já foi crítico de teatro, já trabalhou em redações e seu melhor amigo é, como dizia Vinícius de Moraes, o cachorro engarrafado: o uísque. E contam-me por e-mail (pois eu estou cá no Rio de Janeiro) que teve um certo papel no planejamento (e não “planeamento”, que não sou português) da nossa okupação…

Bem vindo, meu caro!

Fevereiro 12, 2008

A volta dos Gulags à Rússia

Arquivado como: Internacional, Política, Videos — Pedro Sette Câmara @ 1:16 pm

Segundo Bret Stephens, no Wall Street Journal de hoje:

Not surprisingly, suicide attempts at these colonies are common. One convict, named Mishchikin, sought to commit suicide by swallowing “a wire and nails tied together crosswise.” As punishment, he was denied medical assistance for 12 days. Another convict, named Fargiyev, was held in handcuffs for 52 days after stabbing himself; he never fully recovered motor function in his hands.

Even the smallest of prisoner infractions can be met with savage reprisals. In one case, authorities noticed the smell of cigarette smoke in a so-called “penalty isolator” cell where seven convicts were being held. “A fire engine was called in. . . . The entire cell, including the convicts and their personal things, was flooded with cold water.” The convicts were left in wet clothes in 50 degree Fahrenheit temperatures for a week.

As a legal matter, the torture colonies don’t even exist, and Mr. Ponomarev doubts there has ever been an explicit directive from Mr. Putin ordering the kind of treatment they mete. Rather, for the most part the standards of punishment are determined at the whim of colony commandants, often in areas where the traditions of the Gulag never went away.

E vale a pena visitar o blog de Robert Amsterdam.

Janeiro 6, 2008

The Boss likes immigrants

Arquivado como: Videos — Pedro Sette Câmara @ 1:18 am

Ron Paul não gosta de imigrantes. Mas Bruce Springsteen gosta. E eu também.

Essa foi a música popular que conheci em 2007 (ainda que seja de 2006) de que mais gostei. Enjoy: o verdadeiro rock irlandês vem de New Jersey.

Cá embaixo, no “ver mais”, a letra da música.

(mais…)

Janeiro 3, 2008

O não-fumante fuma em protesto

Arquivado como: Videos — Pedro Sette Câmara @ 6:07 pm

Drew Carey, para a Reason.tv.

Dezembro 21, 2007

0,1% de eficiência

Arquivado como: Brasil, Economia, Política — Pedro Sette Câmara @ 7:41 pm

Conta Erik Figueiredo:

Ontem participei de uma banca de monografia onde a aluna analisou o programa “Jovem Empreendedor”. Sua principal conclusão foi: o programa, que em quatro anos atendeu 10 mil jovens, conseguiu formar apenas 215 empreendedores. Desses 215, uma dezena conseguiu levar o negócio adiante. Logo, ineficiência plena. E mais, tudo à custa de mais de meio milhão de Reais. Um membro da banca questionou: “não se prenda a essa análise fria dos dados, tente ver como o programa contribuiu para a felicidade dos 9 mil e poucos que não se tornaram empreendedores. Será que as vidas deles não melhoraram? Faça uma análise qualitativa.”

Na minha fala, entre outras coisas, retruquei: Felicidade dos jovens com mais de meio milhão de Reais dos cofres públicos?

Via De Gustibus Non Est Disputandum.

Dezembro 13, 2007

Ordem Livre

Arquivado como: Blogosfera — Pedro Sette Câmara @ 5:49 pm

Está no ar OrdemLivre.org. É um projeto do Centro de Promoção dos Direitos Humanos do Cato Institute. Além do site, temos também um blog, no qual também vou começar a postar assim que os parafusos estiverem mais apertados.

Nossos planos são ambiciosos e já começamos, francamente, muito bem. Já temos uma entrevista em áudio com Carlos Alberto Sardenberg, um vídeo legendado com Drew Carey discutindo soluções de mercado para os engarrafamentos de Los Angeles, artigos e ensaios e, mais importante, uma biblioteca gratuita com clássicos do liberalismo. Eu sei que você sempre sonhou em dar de presente para todos os seus amigos um exemplar do raro As seis lições, de von Mises, o melhor livro de “economia para leigos” que existe. Pois vá lá. Ainda tem mais.

Estatistas, tremei!

OrdemLivre.org

Outubro 18, 2007

Projeto de site: Revolução Russa

Arquivado como: Educação, Política — Pedro Sette Câmara @ 12:37 pm

Caros leitores: há alguns dias tive uma idéia para marcar os 90 anos da Revolução Russa: um site a seu respeito. Espero que o site venha a ser uma criação coletiva, ainda que eu confesse não abdicar de um certo centralismo democrático.

Este é o texto que escrevi para dar a partida no projeto - o único a ser publicado até agora.

Um truísmo do nosso tempo diz que a História é sempre escrita pelos vencedores. Se é assim, é preciso admitir que em alguma esfera a revolução russa foi vitoriosa: até hoje os morticínios em massa realizados por Lênin e Stálin são vistos como acidentes de percurso ou traições da perversidade humana, e não como ações deliberadas que faziam parte de um plano totalitário.

O comunismo exige ser discutido sempre em dois níveis, um das idéias e outro das práticas, como se um não tivesse nada a ver com o outro. Sim, é verdade que a revolução russa não aconteceu segundo o plano de Marx. Ela não foi o desenvolvimento natural de uma sociedade altamente industrializada, mas o plano de uma vanguarda armada dentro de um país que mal tinha saído do feudalismo. Mas o III Reich de Hitler também não durou 1000 anos; alguém consideraria, só por isso, que a idéia ainda é digna de crédito? A idéia de que o “verdadeiro nazismo” – aliás, nacional socialismo – ainda não foi praticado e portanto merece atenção e respeito deveria ser bem aceita? É claro que não. O mesmo deveria valer para o comunismo.

O objetivo deste site é reunir documentos – sobretudo traduções e transcrições de livros – que mostrem que o mal tremendo causado pela revolução russa não foi um acidente de percurso mas, assim como no nacional-socialismo alemão, parte essencial do plano.

Qualquer pessoa pode contribuir inserindo textos. Escreva para mim pedindo um login e uma senha e mostrando algum material, e/ou entre na lista de discussão dos participantes do site. Estão recusados de antemão textos que sejam meras condenações do comunismo e da revolução e não acrescentem informações. Não se trata de falar mal e depois falar mal de novo, nem de tentar convencer pela retórica, e sim de deixar os fatos falarem – não se preocupe, eles nunca foram tão eloqüentes.

Portanto, biografias dos revolucionários, dados sobre massacres, explicações de políticas, tudo isso é bem vindo, e tudo, absolutamente tudo, deve estar embasado por referência bibliográfica – daí que o ideal seja transcrever e traduzir.

Mesmo que você não pretenda contribuir, volte ao site para vê-lo crescer.

Os horrores da t-shirt vermelha

Arquivado como: Internacional, Política — Pedro Sette Câmara @ 3:22 am

Eu ia traduzir “t-shirt” por “camiseta”, mas acho que em Portugal o significado de “camiseta” é outro…

O fato é que Robert Crampton viu uma t-shirt com as caras de Lênin, Stálin, Mao e Fidel e disse o que deveria ser dito:

If someone wore a T-shirt celebrating Hitler, Mussolini, Franco and, say, Somoza, or Pinochet, they would, one hopes and trusts, before long receive a firm instruction to desist or face the consequences. I can see no reason why anyone parading this equally gruesome quartet should be treated any less robustly, and at least with all that detail on the shirt, they might realise why.

Outubro 14, 2007

Heterodoxia recreativa dominical

Arquivado como: Videos — Pedro Sette Câmara @ 4:04 pm

[youtube]SjwCAifhoPY[/youtube]

Sua vida nunca mais será a mesma depois de Alizée.

Outubro 10, 2007

The hills are alive with the sound of machine guns

Arquivado como: Cultura — Pedro Sette Câmara @ 1:21 am

Cuidado: não leia bebendo nem comendo nada, você pode engasgar!

Joaquim Armindo debulha-se sobre Che Guevara:

Em cada flor do mato viu uma amiga e em cada noite de luar abraçou a humanidade. Quando em Portugal as forças da mordaça, de Salazar ou Caetano, nos impediam de cantar, de beijar a liberdade, a força do Che era suficiente para não nos deixar desesperados; foi nele que vimos nascer uma nova humanidade proclamando a justiça e a paz, e nem a sua morte fez com que o nosso caminhar fosse coarctado. Nessa longa noite de uma guerra colonial, em que se proibia o amor e em que era perseguido nas avenidas, ruas e vielas das nossa cidades um simples beijo a uma flor, lá das montanhas da luta onde estava Che Guevara vinham os acordes das melodias que nos faziam chorar de raiva e lutar. Lutar como em Maio de 1968 em França, por uma nova ordem internacional. E isso foi muito bonito!

Outubro 9, 2007

Obrigado, Bolívia

Arquivado como: Cultura — Pedro Sette Câmara @ 2:18 am

No Che

Eu tenho a minha. E vou usá-la hoje, o dia inteiro.

Outubro 8, 2007

87% dos brasileiros acham o aborto “moralmente errado”

Arquivado como: Brasil, Cultura — Pedro Sette Câmara @ 8:36 pm

Ao menos foi isso que disse a Folha de São Paulo de ontem.

(mais…)

Setembro 21, 2007

Rowan Williams: chega de bispos gays

Arquivado como: Religião — Pedro Sette Câmara @ 1:39 am

Nesta quarta, no Guardian:

Rowan Williams, the Archbishop of Canterbury, will demand concessions from the bishops of the US Episcopal Church tomorrow at a crisis meeting aimed at staving off the most damaging split in the churchs modern history, over the issue of homosexuality.

They will be asked to give guarantees that they will not allow the election of any more openly gay bishops or authorise public blessing services for same-sex couples and will create a structure for separate episcopal oversight for conservative congregations who disagree with the churchs liberal leadership.

“Churchs”? E depois tem um “doesnt”. Qual é o problema do Guardian com o apóstrofo?

Depois a matéria fala de como Rowan Williams tirou três meses para trabalhar em seu livro sobre Dostoiévski. Tenho dificuldades para comentar este fato em particular. E também a notícia dos “bispos” gays.

Lula oferece Brasil para encontro entre FARC e Chávez

Arquivado como: Brasil — Pedro Sette Câmara @ 1:14 am

Às 9h da manhã desta quinta (horário do Rio de Janeiro), o alcaide carioca, em seu boletim diário, citava uma notícia publicada no mesmo dia no El Tiempo, da Colômbia:

Considerar a Brasil como sede para reunión con las Farc le propondrá Lula a Chávez

El presidente brasileño planteará la propuesta hoy, durante un encuentro con el venezolano y su homólogo ecuatoriano, Rafael Correa.

El anuncio fue hecho por el vocero oficial Marcelo Baumbach, que entregó detalles de la reunión entre los mandatarios, que se realizará en la norteña ciudad de Manaos (Brasil).

Baumbach reveló que su gobierno “ya ofreció la posibilidad de un encuentro entre las Farc y Chávez en territorio brasileño. El presidente Luiz Inácio Lula da Silva apoya ese esfuerzo de mediación del presidente Chávez y confía en el presidente Chávez como mediador de ese conflicto”.

Dez horas depois, o site de O Globo retomava a mesma notícia:

A manchete do principal jornal colombiano, o El Tiempo, também falava sobre o possível encontro de Chávez com o líder das Farc em solo brasileiro. Ainda não há confirmação se a sugestão foi aceita pelo venezuelano.

A notícia já provoca polêmica no Brasil. Em entrevista ao GLOBO ONLINE, o prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia,classificou a oferta de Lula como repugnante.

- Quinze dias depois da entrega de 11 corpos de parlamentares assassinados pelas FARC, seria um escárnio com os compromissos com os direitos humanos - criticou o prefeito.

Perguntado se Lula Lula estaria expondo o Brasil sediando um encontro, Maia disse:

- Certamente. Tanto pelo narco-financiamento das Farc, como por manterem centenas de cidadãos seqüestrados incluindo parlamentares, quanto pelo assassinato de vários deles, agora demonstrado - completou o prefeito.

O líder máximo da guerrilha, Pedro Antonio Marín, conhecido pelos pseudônimos de Manuel Marulanda e Tirofijo, aceitaria um encontro com Chávez em território colombiano. Mas Uribe é contrário à idéia e exige que a reunião se realize no exterior.

O governante venezuelano se reunirá com o porta-voz das Farc, Raúl Reyes, no dia 8 de outubro, provavelmente em Caracas, segundo a senadora colombiana Piedad Córdoba.

Em Manaus, Lula, Chávez e Correa discutem projetos de integração regional no setor energético, a criação do Banco do Sul e a adesão da Venezuela ao Mercosul, que enfrenta oposição no Congresso.

Setembro 6, 2007

O estupro verossímil que nunca aconteceu

Arquivado como: Cultura, Internacional, Política — Pedro Sette Câmara @ 12:53 pm

Em Durham, na Carolina do Norte, os jogadores do time de lacrosse da Duke University deram uma festa e contrataram duas strippers. Por acaso, elas eram negras. Uma tinha problemas com álcool, além de ser bipolar. Chegou tarde, trabalhou só por quatro minutos, desmaiou. Levada para a delegacia, o promotor literalmente decide que ela foi estuprada e a convence a dar este depoimento. Os jogadores ganham fama de estupradores, são suspensos, e o reitor da universidade decide acabar com o time. Mais de um ano depois, acontece o certo: o promotor perde o emprego, o equivalente americano da carteirinha da OAB (isto é, a licença para advogar) e passa um dia na cadeia. Os jogadores processam Duke.

Acompanhei a história na New Criterion e hoje o Opinion Journal publicou um belo resumo.

Agosto 20, 2007

O impetuoso Pio XI

Arquivado como: Religião — Pedro Sette Câmara @ 9:03 pm

Trecho de um livro de Carlos Veloso de Melo citado pela Espectadora:

Ao saber da educação que as crianças recebiam nas escolas durante o governo Mussolini, onde o Estado havia recebido o direito de “formar a juventude italiana” através do lema “livro e mosquetão, o perfeito fascista”, Pio XI disse ao embaixador da Itália, Cesare Maria de Vecchi: “Diga a Mussolini que seus métodos me desgostam”. O diplomata replica que ele ‘estaria passando da conta’. O impetuoso Pio XI então acrescenta: “Então diga-lhe que me faz vomitar, que me causa náuseas.”

Agosto 9, 2007

Odeio quando esquerdistas têm razão

Arquivado como: Internacional — Pedro Sette Câmara @ 2:54 am

Ainda bem que não a tem com freqüência.

Mas um texto de 6 de agosto do New York Times sobre a aquisição do Wall Street Journal por Rubert Murdoch levanta uma questão interessante.

A página de opinião do WSJ sempre foi independente e sempre foi claramente liberal (mas não liberal no sentido americano). Sempre atacou, por exemplo, o governo chinês. Mas Rupert Murdoch sempre soube, digamos, adaptar-se às tiranias. E no contrato de compra do WSJ, os editores incluíram uma cláusula que não permite a Murdoch interferir minimamente na página de opinião, sob o risco de enfrentar um processo.

Então, como é que é? O WSJ agora vai continuar defendendo a liberdade e a propriedade, mas vai processar seu dono se este tentar utilizar o jornal da maneira que bem entender?

Claro que se pode dizer que Murdoch assinou o contrato porque quis. Certamente ninguém o coagiu. Mas é muito estranho ver um liberal incluindo este tipo de cláusula…

Agosto 2, 2007

Entrevista com o secretário do Papa

Arquivado como: Religião — Pedro Sette Câmara @ 2:29 pm

Mons. Gaenswein à direita

O secretário do Papa, Monsenhor Gaenswein, à direita do leitor

A entrevista em inglês está no Closed Cafeteria, mas você também pode ler o original alemão. Peter Seewald é o mesmo jornalista que fez a longa entrevista com o então Cardeal Ratzinger que constitui O sal da terra.

Selecionei um trecho a respeito de religião, mas há muitas observações sobre o dia-a-dia do Vaticano.

Peter Seewald: O filósofo francês René Girard, membro da Academia Francesa, prevê um Renascimento Cristão que será decisivo. Segundo ele, estamos “às vésperas de uma revolução em nossa cultura”. Esta mudança supostamente fará o Renascimento do século XV empalidecer na comparação.

Monsenhor Gaenswein: o elemento religioso têm recebido uma atenção inédita em anos. Após uma fase de indiferentismo, as pessoas mais uma vez estão preocupadas com a religião, com questões de fé. Vejo que sobretudo jovens que têm tudo ou poderiam ter tudo percebem: é possível fazer qualquer coisa, até mesmo destruir o mundo – mas não se pode ganhar a alma quando falta o essencial. A Igreja Católica possui tesouros que não ninguém mais pode oferecer. Maiores e mais duradouros que todas as ofertas políticas de “salvação”. Mas isto não acontece automaticamente. A fé vem de ser ouvida, e, como diz São Paulo, tem de ser proclamada.

Agosto 1, 2007

Estou comovido

Arquivado como: Brasil, Política — Pedro Sette Câmara @ 4:17 am

Trabalho como tradutor e intérprete no Rio de Janeiro. Já fiz interpretação simultânea para acordos da Aeronáutica, e foi numa destas reuniões que descobri que o governo brasileiro fixava o valor mínimo das passagens para o exterior. Portanto, em vez termos os capitalistas internacionais malvados com olhinhos brilhando com cifrões, temos os capitalistas internacionais fazendo o possível para ficar perto do preço mínimo estabelecido pelo governo brasileiro. Enquanto isso, o Robin Hood botocudo institucional distribui a minha renda para um empresário brasileiro poder competir com um estrangeiro.

Por isso quase chorei ao ler em O Globo na noite desta terça:

A Agência Nacional de Aviação (Anac) vai alterar regras que hoje impõem às companhias aéreas brasileiras e estrangeiras preço mínimo para viagens internacionais com origem no Brasil. Boa parte dos destinos no exterior terá a tarifa liberada. Atualmente, por força dos acordos bilaterais e de uma política de reserva de mercado para empresas nacionais, existem patamares para o valor das passagens e um desconto máximo que pode ser aplicado sobre eles, que varia entre 20% e 45%. As rotas que não forem contempladas com a derrubada total das restrições terão o desconto elevado. Em ambos os casos, o efeito será uma queda dos custos para o consumidor.

Só não digo que agora é que eu vou emigrar para Portugal porque me parece que em termos de opressão estatal a metrópole ainda está à frente da colônia…

“Distribuição de renda” é ruim, sim

Arquivado como: Brasil, Política — Pedro Sette Câmara @ 4:04 am

Cesar Maia, eterno alcaide carioca, que publica um “ex-blog” (o qual, apesar dos diversos erros de pontuação, tem coisas interessantes), colocou no site do Democratas (o antigo Partido da Frente Liberal, tão liberal quanto Mussolini) um artigo sobre a último mapeamento ideológico do Brasil.

A conclusão apresentada não é muito surpreendente. O que interessa mais é um detalhe. Vejam o que diz o alcaide:

Uma informação relevante: o eleitor não entende direito o que é distribuição de renda. Parece pensar que se trata de tirar dinheiro dele, pois 32,6% acham negativo. Corrijam, pois, a comunicação.

Distribuir significa dar a várias pessoas. Alguém tem que prover o que é dado. Ou você dá, ou você recebe. No meio disso fica o governo, que nomeia a si mesmo para a tarefa e, naturalmente, cobra uma polpuda comissão. Se o eleitor pensa que vão tirar dinheiro dele, está certíssimo: quem tem garantia de receber é o eleito, não o eleitor. Os liberais é que têm que melhorar sua comunicação, e fazer com que os 77,4% restantes percebam também que Robin Hood já tem castelos na França…

Julho 26, 2007

Antonio Fernando Borges chega à web

Arquivado como: Brasil, Cultura — Pedro Sette Câmara @ 4:11 pm

O autor dos melhores romances brasileiros dos últimos tempos, Brás, Quincas & Cia e Memorial de Buenos Aires, finalmente tem um lar na web.

Lembro perfeitamente daquele fim de 2002, início de 2003, quando iniciava o primeiro mandato de Lula, e Brás, Quincas & Cia captou perfeitamente meu estado de espírito…

Um dos melhores momentos do blog recém-nascido:

Já faz tempo que as crianças e os jovens são mais e mais atraídos pelas promessas fáceis de uma cidadania feita só de direitos e exigências, para serem supostamente atendidas por um mundo inteiro posto a seus pés. Rigores escolares são afrouxados, a autoridade familiar é destronada em nome da supremacia do grupo – e do conjunto hierarquizado de valores morais, sociais e artísticos que constituíam a Ordem indispensável, sobrou o quê? Só estilhaços.

* * *

Os maus frutos dessa seara daninha começam a se multiplicar por todos os lados: são bailarinos pobres da Rocinha, batedores de lata miseráveis de Vigário Geral, ou grafiteiros carentes do Pelourinho – todos absurdamente convencidos, por juízes da infância e por milionárias ONGs internacionais, de que seu trabalho vale tanto quanto o de Balanchine, Beethoven e Leonardo da Vinci. Debruçar-se sobre o estudo da verdadeira Arte para afinal aprender? Nem pensar! Trabalhar, para o auto-sustento ou para auxílio da família? É crime!, ou pelo menos assim prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente.

Vamos privatizar os aeroportos brasileiros

Arquivado como: Brasil, Política — Pedro Sette Câmara @ 3:35 pm

Diogo Costa faz a melhor análise da crise aérea brasileira. Só é preciso acrescentar uma pergunta: se os aeroportos brasileiros fossem privados, demoraria tanto assim encontrar o culpado por um acidente como este último da TAM?

Os controladores de vôo, a economia, o overbooking, os militares e até o aquecimento global já foram culpados pela crise do setor aéreo, que produziu, esta semana, uma das manchetes mais lúgubres da nossa História. As agências do governo são rápidas em apontar bodes expiatórios, mas de uma lentidão arcaica para buscar soluções. É ingenuidade continuar esperando que o problema seja resolvido por quem não tem incentivos para encontrar respostas.

Os setores público e privado reagem contrariamente a crises. No início do ano, enquanto havia uma perda de 50% nas vendas de pacotes turísticos, a Infraero teve seu orçamento aumentado em praticamente R$ 1 bilhão. Agora, enquanto as ações da TAM despencam no mercado, a Infraero poderá novamente recorrer ao governo federal para mais investimentos. Como supor que as soluções venham de uma estatal que, além de não poder ir à falência, ainda lucra com o problema?

Essa estrutura de incentivos contrária ao bom senso é a grande vilã da crise aérea. É ela que promove congestionamentos desesperadores e uma ineficiência operacional que já assassinou quase 350 vítimas. O esforço das autoridades e dos burocratas tem resultados parvos. Suas propostas tentam tornar os vôos menos freqüentes com passagens mais caras. Se o problema é que os consumidores não estão sendo servidos, diminuir a oferta dos serviços não resolve. A empresa aérea vê o congestionamento nos aeroportos e quer colocar os passageiros no avião. O governo vê o mesmo problema e quer mandá-los embora, ou melhor, garantir que não saiam de casa. Com a diminuição do número de vôos o risco do cancelamento futuro é substituído pela certeza estatal do cancelamento prévio. Se a crise não pode ser resolvida, pensa o governo brasileiro, que seja institucionalizada. A punição cai sobre as próprias vítimas: passageiros, hotéis, agentes de viagens, etc.

Quando aumenta o número de compradores, as lojas não penduram cartazes pedindo que os fregueses parem de comprar. Elas trazem é mais produtos, abrem novas filiais. Só o setor público exige que seus consumidores consumam menos, que usem menos água, menos eletricidade e menos aviões. Não nos deparamos com intimidações ou punições sobre o consumo no mercado porque, nele, um aumento na demanda corresponde a um aumento no lucro.

PT e PSDB, partidos iguais

Arquivado como: Brasil, Política — Pedro Sette Câmara @ 3:26 pm

Joel Pinheiro é quem avisa, e eu acrescento o que já digo desde o tempo da última eleição presidencial: a diferença entre o PSDB e o PT não é de substância, mas de grau.

No entanto, parece, nos debates acalorados, haver grandes divergências entre PT e PSDB. Se não é quanto a visão geral, deve ser quanto às propostas individuais. Será? Lembremo-nos de um fato antigo: a eleição de 2006.

Lula, do PT, defendia melhorar os serviços assistenciais do país, mas sem perder de vista a eficiência econômica; afinal de contas, o empresário precisa de um bom ambiente para investir; a estrutura fiscal precisa ser repensada, é preciso desonerar o setor produtivo e cortar gastos desnecessários do governo, dar incentivo ao crédito, fazer reforma trabalhista, lutar por bons acordos comerciais internacionais. Já Alckmin, do PSDB… concordava plenamente. Toda proposta petista tinha sua equivalente tucana.

Mas agora lembro-me das privatizações que FHC promoveu. Sim! É isso: o PSDB se diferencia do PT por defender a privatização das estatais. Essa acusação foi levantada durante a campanha, e Geraldo Alckmin foi rápido em desmenti-la. Até tirou foto vestindo, literalmente, a camisa das estatais.

E a submissão ao FMI e outros órgãos financeiros internacionais, bem como a política monetária conservadora? Decerto, isso é marca do PSDB; o PT tem outra proposta quanto a essas questões. Ledo engano. O governo PT, em matéria de política monetária, foi tão conservador quando o do PSDB. Ironicamente, é o PSDB quem, hoje em dia, acusa o governo petista de “submissão exemplar ao FMI” e “pagamento de R$ 145 bi de juros” (aqui).

O PT, no poder, é igual ao que foi o PSDB, que agora faz as exatas mesmas acusações que eram feitas pelo PT. As brigas recaem sempre na conduta dos políticos de cada partido. Não há debate de propostas; há troca de acusações de desonestidade e falta de espírito democrático.

Julho 11, 2007

Os meus cinco livros

Arquivado como: Cultura, Livros — Pedro Sette Câmara @ 2:53 am

Pediu-me o André que dissesse os cinco livros que li ou estou lendo. Lá vão, com gosto:


Tarde
Tarde, de Paulo Henriques Britto; o lançamento do poeta-professor-tradutor brasileiro, que consegue meter a fala cotidiana carioca na mais rigorosa métrica, e que vai se firmando cada vez mais como “o materialista tranqüilo”, como já o chamei. Se você busca a total ausência de transcendência, pode vir. Católico que sou, não é o meu caso, mas aprecio suas ironias e seu trabalho com a linguagem. E como geralmente não gosto de poemas voltados para si mesmos, nem da linguagem acadêmica, acho muita graça nas ironias de Britto contra a teoria literária. São piadas internas, talvez. Mas eu, que vivo no ambiente das faculdades de letras, consigo entendê-las perfeitamente…

MiddlemarchMiddlemarch, de George Eliot, o livro que Virginia Woolf disse ser “um dos poucos romances ingleses escritos para adultos”. Jane Austen é ótima, mas é fácil ficar cansado de seu tom de conversinha entre mulheres. George Eliot é para todos, e, francamente, parece a pessoa mais inteligente e observadora do universo. Também há duas razões para amar os romances ingleses antigos e sobretudo este: casas que têm nomes (”Lowick”, “Stone Court”) e personagens de imensa beleza moral. Enquanto livrinhos escatológicos pretendem falar do que é “humano”, eu prefiro dizer: humana é Dorothea Brooke, a protagonista de Middlemarch.

A imitação do amanhecerPor conta da morte recente de meu amigo, o poeta Bruno Tolentino, seu último livro, A imitação do amanhecer, também não sai de perto de mim. Sinto remorsos por ter dito em conversas que o livro era obscuro demais, quando eu é que estava numa fase preguiçosa. Aqui um trechinho desta maravilha:

Tua luz, tradutora, é estranha, contamina.
É muito grave, Alexandria, o que ela faz:
oriental, ela ilumina este Ocidente
que acredita no ser que coloca no instante,
mas faz dos dois, do acorrentado e da corrente,
elo por elo a confissão itinerante
que apelida de História: tua luz vai à frente,
atrás as sombras dessa marcha escravizante.

Seleta de prosaMinha leitura de antes de dormir tem sido a Seleta de Prosa de Manuel Bandeira, um dos grandes poetas da nossa língua, que nestes ensaios demonstra uma virtude que, ao menos no ramo da crítica literária, parece quase exclusivamente anglo-saxônica: o bom senso, o common sense. Assim como Auden, Bandeira também exerceu a crítica premido pelas circunstâncias, isto é, para ganhar dinheiro. A razão de estes seus ensaios, como “Apresentação da poesia brasileira”, “A versificação em língua portuguesa”, “Itinerário de Pasárgada” e outros não serem lidos e estudados nas Faculdades de Letras brasileiras é inteiramente misteriosa, já que o poeta Bandeira continua perfeitamente amado. Mas o mais bonito é ver como Bandeira, além de ter bom senso, não tem um dos mais incômodos defeitos dos críticos lusófonos: a afetação de superioridade, o desejo de sempre desfazer um pouco daquilo de que se está falando, o ar blasé que só esconde insegurança e impotência.

Without TitlePor fim, preparando-me para o lançamento próximo de A Treatise of Civil Power, volto com muito gosto ao último volume de poemas de Geoffrey Hill, Without Title. A série “Pindarics” é, para mim, o ponto alto do livro. A primeira estrofe do poema 21 (p. 55):

After the prize-giving the valedictions;
after the phone call a brief sense
of what happiness would be like; after
the forgiveness a struggle to forgive.
Some discourse is expansive, but some
composed of opposing blocks. Again
the award ceremony as paradigm
for the expected. She gives herself
to the right man. Their painless composure.

Eu poderia ficar por aqui como o Miguel, mas queria perguntar ao Bruno Garschagen quais são os dele.

Julho 7, 2007

A “volta” da missa “tridentina”

Arquivado como: Religião — Pedro Sette Câmara @ 3:02 am

Já é sábado em Lisboa, e aqui no Rio de Janeiro a sexta-feira vai terminando. Ao meio-dia próximo será publicado oficialmente o motu proprio “Summorum Pontificum”, que muita gente, como eu, aguardou com anseio, pois é o documento que pretenderá levar a uma celebração mais ampla do missal romano estabelecido por São Pio V durante o Concílio de Trento (daí o adjetivo “tridentino”), e que teve sua última edição promulgada pelo Papa João XXIII em 1962. No início do ano litúrgico de 1970, isto é, ao fim do ano civil de 1969, o missal dito “de Paulo VI” começou a ser utilizado e, ainda que os “ritos antigos” nunca tenham sido efetivamente proibidos, sua celebração passou a depender de uma permissão, raramente concedida, do bispo local.

Os filotradicionalistas - este é o nome que inventei para designar a gente como eu, amiga dos velhos ritos mas firme com o Vaticano - e os vaticanistas mais espertos já sabiam que a eleição de Joseph Ratzinger traria de volta a questão da missa. Vejam o que ele diz em O sal da terra (Rio de Janeiro: Imago, 1997):

A meu ver, devia-se deixar seguir o rito antigo com muito mais generosidade àqueles que o desejam. Não se compreende o que nele possa ser perigoso ou inaceitável. Uma comunidade põe-se a si mesma em xeque quando declara como estritamente proibido o que até então tinha tido como o mais sagrado e o mais elevado, e quando considera, por assim dizer, impróprio o desejo desse elemento. Pois em que se poderá acreditar ainda do que ela diz? Não voltará a proibir amanhã o que hoje prescreve?

Pois hoje vem o resultado. Nos EUA, Rocco Palmo, que alega não estar submetido ao embargo do Vaticano para a publicação do documento, já publicou alguns trechos e fez seus comentários. No mesmo trecho de O sal da terra, o então cardeal Ratzinger observava que o latim já não é mais tão difundido e talvez não fosse mais tão adequado para a celebração litúrgica. Por isso, segundo Rocco Palmo, o documento deste sábado manterá o Novus Ordo como rito principal, enquanto vai reabrindo espaço para a forma de 1962. As paróquias poderão ter uma missa nesta forma por domingo ou festa, por exemplo, e os sacramentos em suas formas antigas também poderão ser utilizados.

Esperemos hoje a publicação oficial, e, naturalmente, celebremos com muita Erdinger e Spaten Optimator.

Junho 27, 2007

Bruno Tolentino +, 12.11.1940 - 27.06.2007

Arquivado como: Cultura — Pedro Sette Câmara @ 2:48 pm

O falecimento ocorreu no hospital Emílio Ribas, em SP.

Da A imitação do amanhecer:

Provavelmente porque o ser se intranqüiliza
de já não ser o que ia sendo; intensamente,
porque as fogueiras de um martírio impenitente
são seus triunfos, seus troféus cheios de cinza;
e finalmente porque tudo o que agoniza
quer promulgar, solenizar o impermanente,
o coração, naquele fundo ambivalente
da coisa humana, momentâneo como a brisa,
mas persuadido de que as músicas da mente
hão de reter do ser algo mais que uma soma,
o coração vive das sombras de um aroma.
Só muito raramente esse iludido sente
a força de acordar antes que a luz cadente
o deixe louco como à mosca na redoma.

Junho 26, 2007

Bem no alvo

Arquivado como: Comentário, Política — Pedro Sette Câmara @ 12:35 am

A conspiração de iniqüidades:

Todo o uso estratégico do homossexualismo como arma revolucionária baseia-se na idéia de primeiro nivelar como igualmente respeitáveis a fé religiosa e um simples desejo de determinado tipo de prazeres sexuais, depois sobrepor este àquela e por fim esmagar por completo os direitos da consciência religiosa. Ao responder com uma apologia da heterossexualidade, os adversários do gayzismo se submetem passivamente ao engodo nivelador, transformando a discussão inteira em confronto de orientações sexuais e dando assim ao adversário a vitória no primeiro round . O heterossexualismo, enquanto tal, não é moralmente superior ao homossexualismo. A quase totalidade das condutas heterossexuais numa sociedade permissiva é francamente imoral. O espertalhão que traça a mulher do vizinho é heterossexual. O professor que abusa de suas alunas é heterossexual. O patrão que intimida a empregada para levá-la para a cama à força é heterossexual. O sedutor que promete casamento e foge depois do orgasmo é heterossexual. E é heterossexual, por definição, o estuprador de mulheres. Consideraremos todas essas condutas mais toleráveis que a de dois garotos que se trancam num banheiro de escola para trocar carícias gays ? Teremos perdido totalmente o senso das proporções? O que se deve defender contra a propaganda gay não é o heterossexualismo em si, mas sim a superioridade intrínseca da devoção religiosa em comparação a qualquer conduta sexual que seja. Rebaixar a um mero confronto de orientações sexuais uma questão infinitamente mais alta, infinitamente mais decisiva para o destino da humanidade, é cair numa armadilha sórdida, preparada com requintes de maquiavelismo por engenheiros comportamentais que contavam com essa reação das vítimas para mais facilmente as poder qualificar como preconceituosas, machistas e, por definição, culpadas de “homofobia”.

Faço apenas a ressalva à questão de o heterossexualismo não poder ser considerado “em si” moralmente superior ao homossexualismo. Como o próprio Olavo já escreveu em algum outro lugar, o heterossexualismo é uma questão de vida ou morte, de perpetuação da espécie, e o homossexualismo, bem, não pode ambicionar tanto. Portanto, sob o prisma da moralidade, podemos admitir que a grande maioria das condutas heterossexuais é realmente imoral, mas justamente “em si” é que ele não é imoral.

A propósito, para clarificar as mentes filistéias: desconsiderando o ambiente cultural atual, e considerando apenas as propostas em si, sou inteiramente a favor de alguma espécie de parceria civil entre homossexuais que permita que gozem de direitos. Por outro lado, vejo com maus olhos até o poder estatal para celebrar casamentos heterossexuais; preferia que isto ficasse na esfera religiosa. Também jamais me passou pela cabeça a idéia de criminalizar qualquer prática sexual consentida realizada em privado por adultos. O fato de eu ter uma determinada opinião sobre a moralidade de um ato, e de defender meu direito de expressá-la, não me leva a defender a criminalização ou mesmo a penalização dele. O que Olavo expressa em seu artigo, com o que concordo, é que o próprio movimento gay está sendo utilizado para fins que não têm tanto a ver com a realização de seus objetivos nominais, mas com o aumento da opressão da população em geral por burocratas iluminados.

Junho 25, 2007

Uma lição de trevas

Arquivado como: Cultura — Pedro Sette Câmara @ 5:38 am

O maior poeta vivo da nossa língua está no hospital, possivelmente à beira da morte. Rezemos.

In Passim
Bruno Tolentino, O mundo como idéia

Tudo vai-se acabando, tudo passa
do que é ao que era; é tudo mais
ou menos uns vestígios de fumaça
no espaço do que deixas para trás.

E tudo o que deixaste ou deixarás
de manso ou de repente, sem que faça
diferença nenhuma no fugaz,
é assim como a garoa na vidraça:

intimações de lágrima delida.
Não valeu chorar nada. Nem te atrevas
a lamentar à porta da saída,

pois pouco importa a vida como a levas,
que ela te leva a ti, de despedida
em despedida, a uma lição de trevas.

Junho 24, 2007

Um poema para domingo

Arquivado como: Cultura — Pedro Sette Câmara @ 4:07 pm

Macao
W. H. Auden

A weed from Catholic Europe, it took root
Between some yellow mountains and a sea,
Its gay stone houses an exotic fruit,
A Portugal-cum-China oddity.

Rococo images of Saint and Saviour
Promise its gamblers fortunes when they die,
Churches alongside brothels testify
That faith can pardon natural behaviour.

A town of such indulgence need not fear
Those mortal sins by which the strong are killed
And limbs and governments are torn to pieces:

Religious clocks will strike, the childish vices
Will safeguard the low virtues of the child,
And nothing serious can happen here.

O melhor artigo sobre P2P até agora

Arquivado como: Economia, Política — Pedro Sette Câmara @ 6:07 am

Tim O’Reilly:

I have watched my 19 year-old daughter and her friends sample countless bands on Napster and Kazaa and, enthusiastic for their music, go out to purchase CDs. My daughter now owns more CDs than I have collected in a lifetime of less exploratory listening. What’s more, she has introduced me to her favorite music, and I too have bought CDs as a result. And no, she isn’t downloading Britney Spears, but forgotten bands from the 60s, 70s, 80s, and 90s, as well as their musical forebears in other genres. This is music that is difficult to find — except online — but, once found, leads to a focused search for CDs, records, and other artifacts. eBay is doing a nice business with much of this material, even if the RIAA fails to see the opportunity.

(…)

A similar data point comes from Jon Schull, the former CTO of Softlock, the company that worked with Stephen King on his eBook experiment, “Riding the Bullet”. Softlock, which used a strong DRM scheme, was relying on “superdistribution” to reduce the costs of hosting the content–the idea that customers would redistribute their copies to friends, who would then simply need to download a key to unlock said copy. But most of the copies were downloaded anyway and very few were passed along. Softlock ran a customer survey to find out why there was so little “pass-along” activity. The answer, surprisingly, was that customers didn’t understand that redistribution was desired. They didn’t do it because they “thought it was wrong.”

E este último parágrafo? O que acham? Será que os portugueses agiriam como os consumidores americanos? Quanto aos brasileiros (sou brasileiro, moro no Rio), não tenho muita certeza…

Uma pergunta, porém, não me sai da cabeça: aquilo que está no HD do meu computador não é meu?

Junho 23, 2007

Mario Vargas Llosa no Opinion Journal

Arquivado como: Comentário, Cultura — Pedro Sette Câmara @ 5:28 pm

Lá, o texto completo; aqui, comentário:

LIMA, Peru–”This is a story that often repeated itself,” Mario Vargas Llosa says. “If a father was a businessman, he was a man who had to be complicit with the dictatorship. It was the only way to prosper, right? And what happens is that the son discovers it, the son is young, restless, idealistic, believes in justice and liberty, and he finds out that his vile father is serving a dictatorship that assassinates, incarcerates, censors and is corrupted to the bone.”

Mr. Vargas Llosa could have plucked this scenario from his personal recollections of living under dictatorial rule in Peru. But he tells this story to make a more universal point: Dictatorships poison everything in their grasp, from political institutions right down to relationships between fathers and sons.

Verdade, claro. Mas há algo que falta escrever: como um estado superficialmente não-ditatorial, mas cuja burocracia se estende por todas as áreas da vida humana, envenena as relações? Imagine um pai burocrata bem remunerado que tem um filho com um ideário liberal. Ou um pai empresário de médio porte que tolera a opressão burocrática em nome do bem-estar da família e tem um filho que se opõe a tudo isto. O caso não seria particular, mas bastante comum. Já existe algum romance que mostre burocratas bem remunerados distantes do povo que oprimem?

Aliás, nunca pensei que o objetivo do socialismo ou do comunismo ou mesmo da “social-democracia” fosse beneficiar a todos… O objetivo é sempre beneficiar uma casta burocrática, como na Revolução Francesa: saem os nobres, entram os revolucionários, depois faz-se um acordo e a opressão aumenta.

During the 1990 presidential campaign Mr. Varga Llosa emphasized the need for a market economy, privatization, free trade, and above all, the dissemination of private property. He didn’t exactly receive a welcome reception. “It was a very different era, because to speak of private property, private enterprise, the market–it was sacrilegious,” he says. “I was fairly vulnerable in that campaign,” he continues, “because I didn’t lie. I said exactly what we were going to do. It was a question of principle and also . . . I thought it would be impossible to do liberal, radical reforms without having the mandate to do them.”

Não deixa de ser bonito ver a unidade entre vida e arte, a unidade que os esquerdistas milionários jamais tiveram: o escritor tenta ganhar a eleição pela palavra. Mas as eleições são ganhas por imagens, por impressões. Não por debates. Não é possível que exista uma democracia em sentido forte, ateniense, digamos, mesmo em países relativamente pequenos como o Peru. Deve haver alguma proporção entre candidatos e eleitores para que o debate possa realmente fazer sentido, e não se referir a abstrações como o PIB ou a segurança de milhões de pessoas. Qualquer um está habilitado a discutir a oportunidade de cortar ou não uma árvore em sua própria rua, ou a necessidade de trocar o asfalto. Mas cada vez mais acho que discutir políticas que vão afetar milhões de pessoas é mais insano que… Não sei, não consegui pensar em nada que pudesse comparar-se. Um dos pontos principais da democracia e da liberdade há de ser a pouca extensão do território. Só assim é possível vigiar o governo.

Mr. Vargas Llosa discovered that this phenomenon was hardly limited to Latin America. “I went to Iraq after the invasion,” he tells me. “When I heard stories about the sons of Saddam Hussein, it seemed like I was in the Dominican Republic, hearing stories about the sons of Trujillo! That women would be taken from the street, put in automobiles and simply presented like objects. . . . The phenomenon was very similar, even with such different cultures and religions.” He concludes: “Brutality takes the same form in dictatorial regimes.”

Did this mean that Mr. Vargas Llosa supported the invasion of Iraq? “I was against it at the beginning,” he says. But then he went to Iraq and heard accounts of life under Saddam Hussein. “Because there has been so much opposition to the war, already one forgets that this was one of the most monstrous dictatorships that humanity has ever seen, comparable to that of Hitler, or Stalin.” He changed his mind about the invasion: “Iraq is better without Saddam Hussein than with Saddam Hussein. Without a doubt.”

Claro que a partir do que eu disse no parágrafo acima, o “Iraque” é uma abstração. Mas os relatos ouvidos por Vargas Llosa se referem a casos particulares, reais, praticados por indivíduos contra indivíduos. E uma coisa é discutir, como fiz acima, a situação ideal, a proporção ideal entre candidatos e eleitores, a extensão territorial ideal. Outra coisa é discutir casos concretos e é muito insensato negar um bem real porque ele não é tão bom quanto um bem imaginário. Esta é, sob muitos aspectos, a armadilha socialista, a insistência no suposto bem que não existe e que legitima males supostamente provisórios. Sensato, enfim, é dizer: o ideal seria x, mas não se pode negar que y real é melhor do que z real.

Junho 21, 2007

O nazismo não passa de um socialismo ocultista e gay

Arquivado como: Política — Pedro Sette Câmara @ 5:07 pm

Quase tudo sobre o movimento gay

Arquivado como: Brasil, Política — Pedro Sette Câmara @ 5:05 pm

Algumas vezes aparecem artigos que nos dispensam de dizer o que queríamos dizer. Este artigo de José Maria e Silva é um deles.

O trecho final:

Uma prova de que o movimento gay não está lutando por tolerância e, sim, exigindo leniência com seus atos imorais é o Projeto de Lei 5.003, de 2001, chamado de “Lei Anti-Homofobia”, de autoria da deputada federal Iara Bernardi, do PT de São Paulo. Aprovado pelo plenário da Câmara em 28 de novembro do ano passado, o projeto criminaliza praticamente qualquer tipo de crítica aos homossexuais, equiparando-as ao crime de racismo. Com substitutivo final do deputado Luciano Zica, também do PT de São Paulo, a “Lei Anti-Homofobia” — que deverá ser aprovada em caráter definitivo pelo Senado — poderá desencadear uma verdadeira perseguição religiosa no país. Pastores e padres não poderão mais dizer que o homossexualismo é pecado sob pena de serem acusados de “homofobia”.

Aliás, é o que já está acontecendo na prática. Em Rancho Queimado, um município com apenas 2.842 habitantes, em Santa Catarina, o pastor Ademir Kreutzfeld, da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, está sendo acusado de homofobia. Em novembro de 2006, o jornal O Tropeiro, de Rancho Queimado, publicou uma matéria especial em que procura mostrar o homossexualismo como algo natural. Tão natural, segundo a matéria, que seria comum nas sociedades antigas e nas culturas indígenas. Usando seus direitos de consumidor e de líder religioso, o pastor Ademir Kreutzfeld ligou para comerciantes locais, questionando o patrocínio para aquele tipo de reportagem.

Os comerciantes ficaram escandalizados com a matéria e retiraram os anúncios. O responsável pelo jornal, um ativista gay de Santa Catarina, transformou uma democrática disputa entre grupos de pressão da sociedade — muito comum em qualquer país desenvolvido — num caso de “homofobia”. Ele deu queixa contra o pastor numa delegacia, e o delegado, em vez de informar que a Lei Anti-Homofobia ainda não foi aprovada, aceitou a queixa, intimando o pastor, que teve de se explicar. E o pastor está sendo processado.

Enquanto isso, por ocasião da visita do Papa ao Brasil, o Grupo Gay da Bahia, liderado pelo antropólogo Luiz Mott, queimou fotos de Bento XVI, numa clara incitação à violência física. E o que é mais grave — queimou as fotos do Papa justamente na porta da Catedral da Sé, em Salvador, numa óbvia invasão da propriedade alheia. Um pastor não pode pedir — pacificamente — que um comerciante deixe de patrocinar um jornal gay, mas os gays podem invadir um templo e queimar — violentamente — a foto de um religioso. Ou seja, antes mesmo de aprovada a Lei Anti-Homofobia, já estamos sob a égide da ditadura gay. (José Maria e Silva)

E durante a “parada gay” de SP um homem vestiu-se de Papa e distribuiu camisinhas como se fossem hóstias. Ainda estamos esperando, é claro, que algum gay público condene este excesso e o de Luiz Mott.

Junho 1, 2007

Manuel Bandeira fala dos comunistas

Arquivado como: Brasil, Política — Pedro Sette Câmara @ 2:27 am

“Itinerário de Pasárgada”. Seleta de prosa, p. 332

Os comunistas aproveitaram a ocasião para praticar mais uma daquelas sordícies em que são mestres (…) Palavra de comunista não merece fé nem resposta? Era o que eu pensava. Vi, porém, neste caso que todo o cuidado com eles é pouco.

Maio 31, 2007

A oposição dos fatos

Arquivado como: Comentário, Política, União Europeia — Pedro Sette Câmara @ 3:17 pm

Em que pese a minha leve francofobia - devida ao burocratismo e ao “racionalismo”, bem como aos “filósofos” vanguardistas que este país envia ao mundo - tenho que admitir que os programas de debates franceses são os melhores. Aqui no Brasil, discordar de alguém é um ato de suprema incivilidade, punível com o ostracismo e os mesmos olhares que merecem o ovo da serpente. Mas já vi vários programas em que autores ouviram resenhas negativas ao vivo e responderam a elas, num clima de tensão natural mas jamais de incivilidade. A mesma coisa sucedeu na entrevista que Jean-Marie Le Pen concedeu à TV5 recentemente, que vi anteontem. Bem-humorado (nunca o tinha visto falar e, como todos, imaginava um sujeito nervosinho e sisudo), chegou mesmo a dar uma ótima resposta quando o entrevistador lhe perguntou quem seria a grande oposição a Sarkozy: “Os fatos. Se ele diz que vai fazer tudo isso mesmo, os fatos serão oposição suficiente.”

Mais bolsas, mais funcionários públicos

Arquivado como: Diversos, Internacional — Pedro Sette Câmara @ 3:04 pm

Eis um dos muitos artigos da Chronicle of Higher Education que eu gostaria de ler por inteiro. Infelizmente, ainda não tenho acesso… São estes capitalistas malditos que só pensam na mais-valia, em ganhar dinheiro e em explorar as pessoas. Que ousadia, escrever artigos importantes e querer cobrar por eles!

Replacing Student Loans With Grants Appears to Encourage More Graduates to Choose Public-Service Work

By PAUL BASKEN

An initiative by a major university to replace loans with grants in the financial aid it offers to low-income students has led more of its graduates to choose public-service careers, a study found.

The study, funded by the private National Bureau of Economic Research, concluded that an extra $10,000 in student debt reduces the likelihood that a graduate will take a job in a nonprofit organization, government, or an educational field by about 5 to 6 percentage points.

Maio 27, 2007

Chavismo na chamada

Arquivado como: Internacional — Pedro Sette Câmara @ 7:57 pm

Nesta tarde - são 3h51 PM aqui no Rio de Janeiro - vejo no portal Terra, um dos maiores do Brasil, a chamada Fim da concessão à TV amplia segurança em Caracas. Claro que quem lê pensa que é a TV que causa problemas à segurança da cidade, como se a selvageria do capitalismo estivesse matando as pombinhas da revolução. Not so.


terra

Lendo a notícia, vemos que…

A população de Caracas vive com incerteza e expectativa o fim de semana em que será concretizada a resolução do governo venezuelano contra a emissora RCTV. O temor é que ocorram, nas ruas da capital, ações violentas provocadas tanto por grupos que apóiam o governo quanto por opositores.

Na noite da última sexta-feira, 25, a sede da emissora Globovisión sofreu uma ação de um grupo de jovens chamado “Coletivo Alexis Vive”, que pichou a fachada da emissora e se auto-qualificou como revolucionário, supostamente de apoio ao governo Chávez. Além da RCTV, a Globovisión também mantém uma postura de oposição ao governo venezuelano. “Quando eu vi que haviam elevado o contingente de policiais e da Guarda Nacional nas ruas de Caracas, eu me senti mais protegido. Mas isso não foi suficiente pra evitar esse ato de vandalismo”, afirmou o diretor geral de Globovisión, Alberto Federico Ravell, em entrevista à RCTV. “Não vamos mudar nossa linha editorial porque nos atacam e nos ameaçam ou porque vão fechar a RCTV”, avisou Ravell.

Ah, tá. Então na verdade foi um grupo de pichadores independentes que apóia Chávez que começou a baderna…

Abril 26, 2007

Islam libertário

Arquivado como: Religião — Pedro Sette Câmara @ 1:00 pm

Entre os objetivos listados na missão do Minaret of Freedom Institute:

  • Expor os muçulmanos nos EUA e no mundo islâmico às idéias do livre-mercado.
  • Ensinar economia aos líderes religiosos e comunitários muçulmanos e mostrar-lhes que a liberdade é uma condição necessária, ainda que não suficiente, para a criação de uma boa sociedade.
  • Promover o estabelecimento do livre-mercado e da justiça (um interesse comum essencial do Islam e do Ocidente).

Abril 18, 2007

Nova ortografia unificada do português

Arquivado como: Cultura — Pedro Sette Câmara @ 5:18 pm

Informa o Diário de Lisboa sobre a próxima mudança ortográfica:

Com as modificações propostas no acordo, calcula-se que 1,6% do vocabulário de Portugal seja modificado. No Brasil, a mudança será bem menor: 0,45% das palavras terão a escrita alterada. Mas apesar das mudanças ortográficas, serão conservadas as pronúncias típicas de cada país.

Pessoalmente, não gosto destas mudanças e gosto das diferenças entre o português brasileiro e o europeu. Qualquer pessoa é capaz de perceber, e não só pela ortografia, quando é que um brasileiro ou um português escrevem, e estas outras diferenças continuarão a gritar.

Sempre tive amor por Portugal, onde nunca pisei, e meu ingresso no Insurgente aumentou muito meu contato com o português europeu. Hoje já vejo bem algumas diferenças de uso mais gritantes na norma culta escrita:

1. Os portugueses usam o artigo definido sempre que podem. Os brasileiros só costumam usá-los na frente de nomes não-próprios, à exceção de alguns países (como em Portugal: “a França”, “o Japão”, mas nunca “o Portugal”).

2. Os portugueses não apenas usam “tu” como sabem usá-lo. O costume no Brasil é falar e escrever “você” e misturá-lo com pronomes de segunda pessoa.

3. Os portugueses não gostam do gerúndio. Como dizer “estou a comer” é *muito* afetado no Brasil, não consigo deixar de rir quando vejo uma criança falando assim na RTP.

4. Os portugueses são muito mais tolerantes com a inserção direta de vocábulos anglos e gauleses que os brasileiros.

De todo modo, é claro que o sucesso da nova ortografia dependerá da adesão das empresas editoriais. Curioso será ver como os blogueiros - “bloggers” em Portugal - vão reagir. Aqui no Insurgente acredito que as coisas continuarão como estão: cada um continuará escrevendo o que quer e como quer.

Março 19, 2007

Nelson Rodrigues

Arquivado como: Brasil, Cultura — Pedro Sette Câmara @ 4:52 pm

Não sei se Nelson Rodrigues é conhecido em Portugal, mas, se não é, deveria ser. Você encontra mais frases dele aqui e aqui:

Na velha Rússia, dizia um possesso dostoievskiano: — “Se Deus não existe tudo é permitido”. Hoje, a coisa não se coloca em termos sobrenaturais. Não mais. Tudo agora é permitido se houver uma ideologia.

Quando os amigos deixam de jantar com os amigos [por causa da ideologia], é porque o país está maduro para a carnificina.

Antigamente, o silêncio era dos imbecis; hoje, são os melhores que emudecem. O grito, a ênfase, o gesto, o punho cerrado, estão com os idiotas de ambos os sexos.

[Até o século XIX] o idiota era apenas o idiota e como tal se comportava. E o primeiro a saber-se idiota era o próprio idiota. Não tinha ilusões. Julgando-se um inepto nato e hereditário, jamais se atreveu a mover uma palha, ou tirar um cadeira do lugar. Em 50, 100 ou 200 mil anos, nunca um idiota ousou questionar os valores da vida. Simplesmente, não pensava. Os “melhores” pensavam por ele, sentiam por ele, decidiam por ele. Deve-se a Marx o formidável despertar dos idiotas. Estes descobriram que são em maior número e sentiram a embriaguez da onipotência numérica. E, então, aquele sujeito que, há 500 mil anos, limitava-se a babar na gravata, passou a existir socialmente, economicamente, politicamente, culturalmente etc. houve, em toda parte, a explosão triunfal dos idiotas.

Outrora, os melhores pensavam pelos idiotas; hoje, os idiotas pensam pelos melhores. Criou-se uma situação realmente trágica: — ou o sujeito se submete ao idiota ou o idiota o extermina.

O sujeito que lê ou ouve um esquerdista leu e ouviu todos os esquerdistas.

Eu considero a ONU uma delinqüente da pior espécie.

A grande tragédia da carne começou quando o homem separou o sexo do amor. Como não somos vira-latas, nem urramos no bosque, o sexo sem amor é um progressivo suicídio.

A mulher não é inferior ao homem. Só o fato de ser mãe a torna superior. A mulher só se inferioriza quando, para imitar o homem, começa a dizer palavrões.

A olho nu, qualquer um percebe a ascensão social, econômica, política do idiota. Outro dia, passou por mim um automóvel das Mil e Uma Noites, sim, um desses Mercedes irreais, com cascata artificial e filhote de jacaré. Lá dentro, ia um idiota flamejante.

Março 14, 2007

Segundo o prefeito do Rio, Lula cria a KGB brasileira

Arquivado como: Brasil, Política — Pedro Sette Câmara @ 11:49 pm

Publiquei isto n’O Indivíduo, mas parece-me que o texto merece ser espalhado…

Isto foi circulado hoje pelo eterno alcaide carioca a partir da lista eletrônica que é seu “ex-blog”.

Pessoalmente, não gosto de Cesar Maia. É autoritário, para dizer o mínimo. Mas é o único político brasileiro de que consigo me lembrar que produz um discurso coerente do início ao fim. E um dos poucos a quem você não tem vontade de dizer: “Cala a boca e me traz um café.”

Negrito e link minha por conta.

UMA ESCOLHA MINISTERIAL EXTREMAMENTE GRAVE! DZERZHINSKI, BERIA, HIMMLER, HEYDRICH, HEINRICH MULLER, TARSO GENRO!

01. Hindenburg e as demais forças políticas alemãs convergentes se dobraram ao partido nacional socialista - nazi - e aceitaram uma coalizão majoritária com Hitler como chanceler (primeiro ministro). A 30 de janeiro de 1933, jurou perante o Reichstag. A composição do governo surpreendeu a seus aliados. Hitler não quis saber do ministério da economia, nem das forças armadas naquele momento. Queria o controle da polícia. A partir desta foi controlando o próprio Estado por dentro, investigando, reprimindo e eliminando seus opositores. Construiu a Geheime Staatspolizei - conhecida resumidamente como Gestapo - sua polícia secreta, sem farda, que atuou com o poder de uma força armada paralela, sem limites. Inicialmente dirigida por Himmler, e em seguida por Heydrich a partir de 1936 e por Muller em 1939, impôs o terror de Estado a seus adversários políticos e aos que perseguia, usando a eliminação física como penalidade banal.

02. Uma vez no poder a fins de 1917 os bolcheviques organizaram o exército vermelho sob o comando de Trotsky. Para isso chamaram de volta vários oficiais do exército do Czar, especialistas em organização militar. Mas a Polícia deveria ser uma força pura composta exclusivamente de militantes comunistas treinados e automaticamente leais às ordens recebidas. Assim foi criada a Cheka - comissariado extraordinário para o combate à contra-revolução e a sabotagem. Foi sucedida pela GPU - administração política do Estado - e pela KGB que aos moldes da Gestapo e sob o comando de Beria, impôs o terror de Estado e a eliminação física de seus adversários dentro e fora do partido, na lógica estalinista.

03. Para construir e dirigir a Cheka foi chamado Félix Edmundovich Dzerzhinski, polonês de nascimento membro do partido na Lituânia e um dos fundadores do Partido na Polônia em 1900 e que foi transferido ao Partido Bolchevique em 1917, assim que foi solto de uma condenação a prisão de cinco anos. Lenin se referia a Dzerzhisnki como “herói, revolucionário profissional comunista e destacada personalidade do Partido Comunista e do Estado Soviético”. Sua importância pode ser medida pela recente inauguração de seu busto por Putin em novembro de 2005.

04. A entrega por Lula da Polícia Federal a um militante partidário como Tarso Genro é fato de extrema gravidade. Será entregar os arquivos, as investigações e a ação da Polícia Federal a um militante político-ideológico que não terá limites para levar as informações para o setor de inteligência do PT, que ficou a descoberto nas eleições de 2006. Que não terá limites em direcionar as operações da Polícia Federal no sentido de seus adversários políticos. Que assombrará as empresas com essa possibilidade tornando os pedidos de financiamento do Partido como ordens implícitas. Que entrará inevitavelmente na vida privada de seus adversários através dos grampos - ditos autorizados. Que trará os meios de comunicação sob o risco de suas operações.

05. Essa decisão equivale potencialmente ao que ocorreu na Alemanha Nazi e na Rússia Bolchevique. Será transformar a Polícia Federal -de fato- num braço da Gestapo, da KGB petista. Nunca em tempos democráticos os governos brasileiros ousaram tanto. Nunca na história política do Brasil em tempos de democracia - desde o Império - se designa para chefiar o ministério da justiça e portanto a Polícia, um militante partidário ideológico. A vocação autoritária de Lula-PT crescentemente nítida se torna agora transparente e translúcida. Que os partidos políticos e os lideres sociais, sindicais e empresariais que não rezam na cartilha petista se cuidem, pois vem aí a Cheka brasileira. Tarso Genro: Lenin, Coração e Mente! Não se trata de crítica, mas de uma publicação sua. Quem viver, verá!

06. A tempo! Entre 14/11/2001 e 3/4/2002 um antigo militante no partido do governo ocupou o ministério da justiça. Foi o suficiente para uma central de grampos cercar a candidata a presidente que se igualava nas pesquisas a Lula. Um dinheiro caixa 2 foi localizado e a candidatura dela desmontada. Coincidência? Reforça a lógica descrita acima? E foram só 4 meses no ministério.

Março 9, 2007

Uma anedota de totalitarismo balofo

Arquivado como: Brasil, Política — Pedro Sette Câmara @ 7:46 pm

Hoje o jornal O Globo traz uma historinha interessante. Cá no Rio de Janeiro, no bairro do Leblon, uma senhora de 108 quilos bebia suas cervejas e comia suas bananas fritas quando percebeu que era chamada de gorda pela mesa ao lado. Em vez de derramar-lhes cerveja na cabeça, mandá-los pastar ou admitir-se gorda complementando que este era um pecado menor do que a grosseria daqueles que dela zombavam, decide processá-los. E ainda arremata: “Fui ofendida. Não sou gorda porque quero.” Mas a senhora é gorda porque quer. Toma cervejas e come bananas fritas. Nada contra. Apenas admita que essa é a conseqüência da sua dieta, que a senhora pode mudar se quiser. Não é culpa do governo nem de forças cósmicas.

Um dia eu achei que as pessoas gordas seriam a fonte restante de alegria num mundo politicamente correto em que as pessoas contam calorias. Afinal, Hitler era vegetariano, Rousseau era esquelético. Já Bernanos e Chesterton, verdadeiras bolotas. Agora já começo a perder as esperanças na gordura, a última transgressão à ética de quem não é magro por ser monge ou asceta, mas porque acha que só tem corpo e não tem alma.

Fevereiro 24, 2007

O melhor vídeo de todos os tempos

Arquivado como: Cultura — Pedro Sette Câmara @ 12:00 am

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Fevereiro 19, 2007

Reunião de católicos e anglicanos conservadores?

Arquivado como: Diversos — Pedro Sette Câmara @ 4:29 am

Escrevi de uma vez para O Indivíduo, mas acho que também cabe aqui…

Update às 21h no Rio de Janeiro: publiquei o texto abaixo assim que a nova edição do Times saiu na internet, na madrugada desta segunda; agora, perto das 21h, o boletim da Zenit vem jogar uma certa água fria.

O Times desta segunda traz um artigo sobre a possível reunião da ala conservadora da Igreja Anglicana - aquela que não engoliu os sacerdotes gays e a ordenação de mulheres - com a Igreja Católica Romana:

Numa declaração de 42 páginas preparada por um comissão internacional composta por membros das duas igrejas, os anglicanos e católicos são instados a estudar maneiras de reunir-se sob a autoridade papal.

Esta declaração, que vazou para o Times, está sendo considerada pelo Vaticano, onde os bispos católicos preparam uma resposta formal.

Ela vem no momento em que os arcebispos responsáveis pelas 38 províncias da Comunhão Anglicana reunem-se em Dar es Salaam, na Tan