Lá teremos o espanto dos progenitores e familiares, ingenuamente incrédulos com a atitude do até agora tão-bom-menino-que-ele-era; os sindicalistas emitirão uma nota condenatória e exigirão mais acção social escolar e polícias dentro da escola; o ministério assobiará para o lado; as autoridades darão um raspanete ao “garoto”, sendo que o juíz empregará palavras cujos significados não são de todo compreensíveis para a criatura que tem à frente (quem tem dúvidas que assim seja, do desfazamento dos magistrados em relação à real capacidade cognitiva de quem é julgado, que assista a algumas sessões em tribunal que envolvam cidadãos destas idades).
Não faltará quem diga que temos de compreender o contexto socio-familio-cultural do “garoto”, apontando a necessidade de o Estado promover mais projectos-programas destinados a acolher e potenciar as capacidades ainda não captadas deste e doutros “miúdos”. Aos pais deve ser facultada a possibilidade de descobrirem que têm filhos a seu cargo, subsidiando-lhes cursos de formação em Windows Vista (versão na língua de origem dos avós) e a oferta de PSP’s que ajudarão a criar belas horas de entretenimento familiar.
Sobre responsabilidade, nada.
Via O Setubalense:
Um aluno, de 14 anos de idade, agrediu fisicamente o presidente do Conselho Executivo da Escola D. Manuel Martins, sita na avenida António Sérgio, nas Manteigadas.Os factos terão ocorrido anteontem de manhã, no recinto escolar, tendo o caso sido detectado por um agente da PSP do projecto Escola Segura. António Pina, o presidente, foi encaminhado para o Hospital de S. Bernardo onde recebeu tratamento ao ferimento que sofreu na face(…).
Quanto ao aluno, o mesmo foi entregue aos progenitores e desconhece-se qual o encaminhamento que a escola vai dar a este caso uma vez que o presidente do conselho executivo se recusou a falar ao nosso jornal.
Já agora, esta escola é vizinha do bairro de Setúbal onde três taxistas foram agredidos a semana passada.
E qual é a solução que o LA propõe para o problema? Expulsar o jovem da escola e deixá-lo ao deus-dará?
Comentário por Luís Lavoura — Fevereiro 15, 2008 @ 6:16 pm
Sr. Lavoura,
Sendo “estúpido”, não consigo responder-lhe.
Mas ainda assim, gostaria de tentar saber qual a sua opinião sobre a crescente desresponsabilização dos pais e dos próprios adolescentes (será que é promovida pelas políticas estatais do estado providência e pela estatização do ensino?), sobre a indignidade profissional e pessoal que é enfrentar uma turma de alunos cujo fim último é aprender (friso o último), sobre os “programas” que tentam acomodar as capacidades menos evidentes destes jovens e, correndo o risco de pedir algo que soe a uma “estupidez”, o que pensa sobre como será a integração destes jovens na comunidade e nas relações que a mantém como tal (respeito pelos demais individuos, pela sua propriedade, responsabilidade sobre as suas acções).
Comentário por LA — Fevereiro 15, 2008 @ 7:07 pm
E que tal baixar a idade de responsabilidade criminal?
Comentário por André Azevedo Alves — Fevereiro 15, 2008 @ 7:19 pm
“será que é promovida pelas políticas estatais do estado providência e pela estatização do ensino?”
Também, mas não só. Há um laxismo e um clima de impunidade cada vez mais generalizado que transcende os (sem dúvida gravíssimos) efeitos das políticas sociais e educacionais socialistas.
Comentário por André Azevedo Alves — Fevereiro 15, 2008 @ 7:22 pm
“Sobre responsabilidade, nada.”
Pois é, no fundo é isso…
Comentário por André Azevedo Alves — Fevereiro 15, 2008 @ 7:23 pm
A solução, Luís Lavoura, é:
1. Internar o rapaz num centro correccional com um regime suficientemente duro para ele compreender a gravidade do que fez.
2. Responsabilizar os encarregados de educação, multando-os e obrigando-os a dar uma vultuosa indemnização ao professor agredido.
3. Limitar drasticamente os contactos do jovem delinquente com a família e com o seu meio social de origem, começando a abrandar estes limites à medida que a família fosse provando não ser disfuncional.
Comentário por José Luiz Sarmento — Fevereiro 15, 2008 @ 8:49 pm
[...] casos como este, infelizmente não surpreende que a resposta da esquerda portuguesa aponte sempre que o que faz [...]
Pingback por blogue atlântico » Blog Archive » Sobre responsabilidade, nada — Fevereiro 16, 2008 @ 5:22 pm
A solução é óbvia: se o cachopo não tem idade para ir a tribunal, alguém deve assumir as suas responsabilidades, os pais. Estes são os verdadeiros culpados das chapadas que os profes levam. Se os papás desta canalhada tivesem que pôr o cu no mocho talvez começassem a educar-se e a educar os seus…
Comentário por hajapachorra — Fevereiro 16, 2008 @ 7:49 pm
[...] ter o crânio tão duro que causou um hematoma à pobre criança. Mas não: ligado, só se vê um post de outro blog do AAA, o Insurgente. Neste texto, um tal Luís A. Silva congemina, por entre uns [...]
Pingback por cinco dias » Fazer a festa, lançar os foguetes — Fevereiro 17, 2008 @ 3:12 am
[...] ao Luis Rainha ter fornecido mais uma ilustração que reforça tanto o que aqui escrevi como o post do Luís Silva a que fiz [...]
Pingback por blogue atlântico » Blog Archive » Sobre responsabilidade, nada (2) — Fevereiro 17, 2008 @ 2:39 pm
[...] um exemplo da atitude que o Luís Silva aqui descreveu, recomendo a leitura deste post do Luis [...]
Pingback por O Insurgente » Blog Archive » O que faz falta é mais “social” - III — Fevereiro 17, 2008 @ 2:53 pm
Giro, firo, é haver gente que até tem soluções para o caso sabendo apenas o que saiu no “Setubalense”.
Comentário por Luis Rainha — Fevereiro 17, 2008 @ 3:12 pm
Agradeço as respostas de José Luís Sarmento, de “hajapachorra”, e do AAA - esta última, bastante pobre.
Comentário por Luís Lavoura — Fevereiro 17, 2008 @ 6:37 pm
[...] lá como cá, o que faz falta é mais “social”: Danish police arrest almost 30 people in 8th night of youth violence COPENHAGEN, Denmark: Nearly [...]
Pingback por O Insurgente » Blog Archive » Multiculturalismo e socialismo na Dinamarca — Fevereiro 19, 2008 @ 12:48 am