Há algo de brutal nos discursos de Obama. Cada um é uma oração. Mais uma. Algo que não se cinge ao talento, pois é magia. Sente-se a vibração, mesmo quando os vemos no You tube. Ao vivo, deve ser assustador. Arrepiante. Podemos não concordar com o que diz. Não gostar daquilo que defende. Não nos revermos naquilo em que acredita, mas há algo que nos toca, nos abala. Algo que precisávamos ouvir também em Portugal. Alguém que nos falasse de mudança. Que acreditasse nas pessoas, em nós, na nossa capacidade empreendedora, de sacrifício, de livre arbítrio. Alguém que não nos desse confiança, mas nos dissesse para sermos confiantes. Nos deixasse ter esperança. Precisamos de alguém que nos fale ao coração, mencione as nossas necessidades, perceba o que precisamos, respire as nossas ânsias, saiba dos nossos problemas, conheça as nossas dificuldades, medos, projectos, nos olhe nos olhos; Alguém que seja um de nós. Mais um. Apenas mais um.
Fevereiro 8, 2008
10 Comentários »
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Atenção. Escolhas feitas assim são perigosas.
É que Hitler e Mussolini era assim que falavam. Ao coração das pessoas e falando de mudança. Arrastaram multidões. Arrastaram o mundo sabe-se agora para onde!
Afinal de contas o que é que ele diz de substancial?
Comentário por Xico — Fevereiro 8, 2008 @ 12:56 pm
Não sei como ninguem ainda não o comparou ao Lula pois o estilo de discurso é igualzinho.
Comentário por Cfe — Fevereiro 8, 2008 @ 2:46 pm
Falando por mim, não preciso de um Messias.
Comentário por lucklucky — Fevereiro 8, 2008 @ 4:32 pm
“Ao vivo, deve ser assustador. Arrepiante.”
A mim arrepiam-me mas é de medo pelo que tudo aquilo pode originar se vier a alcançar o poder.
Nunca pensei vir a pensar isto: mas espero que Hillary ganhe as primárias.
Comentário por André Azevedo Alves — Fevereiro 8, 2008 @ 5:12 pm
Caro lucklucky, atenção que não é a isso que me refiro.
André: Pois. Mas a Hillary está mais à esquerda que o Obama.
Comentário por André Abrantes Amaral — Fevereiro 8, 2008 @ 6:28 pm
“Mas a Hillary está mais à esquerda que o Obama.”
André,
Um dos meus medos é que eu não sei onde está o Obama.
Outro é que a a oposição a Hillary seria provavelmente muito mais forte, limitando os danos.
Comentário por André Azevedo Alves — Fevereiro 8, 2008 @ 6:52 pm
“Algo que precisávamos ouvir também em Portugal. Alguém que nos falasse de mudança. Que acreditasse nas pessoas, em nós, na nossa capacidade empreendedora, de sacrifício, de livre arbítrio. Alguém que não nos desse confiança, mas nos dissesse para sermos confiantes. Nos deixasse ter esperança. Precisamos de alguém que nos fale ao coração, mencione as nossas necessidades, perceba o que precisamos, respire as nossas ânsias, saiba dos nossos problemas, conheça as nossas dificuldades, medos, projectos, nos olhe nos olhos; Alguém que seja um de nós.”
É minha opinião que quem falasse assim dificilmente seria um de nós. Aliás ficaria assustado com quem batesse em todas a teclas.
Comentário por lucklucky — Fevereiro 8, 2008 @ 10:54 pm
[...] Uma das coisas que me assusta no fenómeno Obama é precisamente este efeito nas audiências a que se refere o André Abrantes Amaral. [...]
Pingback por blogue atlântico » Blog Archive » O perigo Obama — Fevereiro 9, 2008 @ 5:02 pm
[...] André Azevedo Alves pegou no que escrevi sobre a forma como Obama lida com o público e concluiu que tal pode ser perigoso. Embora concorde [...]
Pingback por blogue atlântico » Blog Archive » Um estilo de esperança — Fevereiro 11, 2008 @ 12:00 pm
A neo-coneiragem não compreende Obama. Ainda não percebeu que foi derrotada e que os americanos não perdoam a quem espatifou as finanças e a imagem dos EUA no mundo…
Obama é o maior e o resto é bullshit ! Vão ser todos cilindrados ! Yes, we can !
Comentário por Euroliberal — Fevereiro 11, 2008 @ 12:20 pm