Homenagem ao que se perdeu. Por André Abrantes Amaral.
Toda a história do século XX português ficou dramaticamente marcada pelo que aconteceu no dia 1 de Fevereiro de 1908. Foram a República e as suas convulsões sociais (muito mais graves que as vividas na última fase da monarquia); a Primeira Grande Guerra; a ditadura militar; Salazar; a guerra do Ultramar e o perigo comunista na década de 70. Tudo poderia ter sido evitado, naturalmente evitado, se D. Carlos não tivesse morrido naquela data. Um rei dificilmente teria permitido a ascensão pessoal de um homem como Salazar. A adesão à Europa Ocidental nascida no pós-1945 poderia ter sido feita muito antes de ’76 e as divisões existentes hoje, num país pequeno como Portugal, mais atenuadas.
Lembrar o que sucedeu há 100 anos obriga a uma homenagem, muito semelhante à feita no ensaio de Rui Ramos na edição da Revista Atlântico hoje à venda. Uma homenagem não apenas a D. Carlos, mas ao que poderíamos ser. Ao que ficou perdido, às oportunidades desperdiçadas, ao sofrimento desnecessário de tantos, o que o país seria hoje, fruto de outra vivência, de outras experiências. Uma homenagem à derrota e ao que poderia ter sido a vitória. Uma homenagem à história que poderia ter sido contada pelos vencidos.
Os Portugueses não têm nem querem ter massa crítica intelectual para escolherem o seu caminho. Ideológicamente somos sempre muito vulneráveis ao vento que sopra. Atendendo ao ascendente que a França teve e ainda tem embora diminuida eu não vejo como tudo teria continuado como se nada estivesse a acontecer. Até se poderia ter dado o caso de um golpe comunista mais tarde em vez do republicano. O que é certo é que a Monarquia caiu sem muitos defensores assim como a velha Republica, o Estado Novo e certamente como acontecerá com esta Republica. Tudo pode mudar em pouco tempo.
Comentário por lucklucky — Fevereiro 1, 2008 @ 4:05 pm
Vamos imaginar que a Europa continua a crescer abaixo dos 3% enquanto a Ásia dos regimes mais ou menos autoritários por volta dos 7% o que lhes permite duplicar a riqueza a cada dez anos. Quando começarem a comprar empresas Europeias emblemáticas de conjunto com a baixa natalidade europeia isso terá consequèncias políticas e quando na Europa a Democracia perder o lustro Portugal vai atrás. Uma das maneiras para tal acontecer vão ser o apelos a Bruxelas e a comités de sábios para ficarem com mais poder, as eleições sendo apenas meras legitimações do status squo.
Comentário por lucklucky — Fevereiro 1, 2008 @ 4:15 pm
não concordando com a transmissão do poder por laços familiares esta República que vai comemorar 100 anos não tem razões para comemorar,começando pelo seu inicio.às vezes sinto-me baralhado será que valeu a pena matar aquelas pessoas?,ie, o que ganhámos com isso?já que matar alguém é um acto selvagem, ainda por cima o nosso chefe des estado.Dá que pensar não dá?
pedro oliveira
http://vilaforte.blog.com
Comentário por pedro oliveira — Fevereiro 1, 2008 @ 5:04 pm
“Um rei dificilmente teria permitido a ascensão pessoal de um homem como Salazar.” A ser uma regra conhece várias excepções:
Vitor Emanuel III e Mussolini
Afonso XIII e Primo de Rivera
Miguel da Roménia e Antonescu
Comentário por Pedro Delgado Alves — Fevereiro 1, 2008 @ 7:51 pm