O Insurgente

Janeiro 31, 2008

As injecções de dólares do Fed (2)

Arquivado como: Economia, Internacional, Política — André Azevedo Alves @ 1:11 am

Comentário de CN ao post As injecções de dólares do Fed:

Receio que Ricardo Arroja esteja a somar montantes indevidamente.

Um Repo tem uma data de início e de fim.

No início injecta, no final volta a receber o montante inicial (mais o juro) e ficando na posse durante esse prazo de divida publica como colateral.

Em substância compra hoje e revende em data pré-fixada uma dada carteira de div. pública (ou até carteira de mortgage)

Injecta e volta a retirar.

Assim se fizer operações de repos semanais (e renovadas em cada semana) de 10 biliões de USD durante um ano (52 operações), a liquidez injectada na prática foi de 10 biliões e não 10*52.

Seja como for, os montantes envolvidos em operações que são renovadas têm vindo a aumentar.

A liquidez é permanentemente injectada quando:

- FED compra divida publica (monetização).
- Quando as operações de intervenção se transformam em operações renovadas, mas quando assim é o FED acaba a comprar a dívida e não a fazer repos renováveis.

Lembrar que o balanço de um BC é:

Activo: Dívida Pública
Passivo: Moeda Emitida

No caso inglês, o Banco de Inglaterra substitui-se como financiador das linhas de crédito do Nothern Bank que desapareceram (os outros bancos deixaram de o financiar no interbancário). Isso foi efectuado por pura criação monetária - algo obsceno - para não deixar o banco cair em falência, o que devia ter acontecido, cumprindo-se o seguro previamente estipulado dos depósitos até um certo montante.

Não foi isso que aconteceu, simplesmente garantiram todos os depósitos e para isso o BC passou a financiar ele próprio o passivo.

Que desculpa vai existir para um BC deixar cair um Banco? Na prática, assistimos à nacionalização total do risco do depositante em qualquer Banco. Os BC vão criar toda a moeda necessária para apoiar qualquer banco. De resto, o sistema assegurava desde o inicio que seria assim mais tarde ou mais cedo. Um dia, vai ter de “segurar” todo o sistema e quando isso acontecer vai provavelmente suspender o levantamento de depósitos. Quem conseguir levantar liquidez antes disso fica em vantagem. Assim, o mero risco de isso acontecer vai provavelmente assegurar uma grande e generalizada corrida dado essa percepção começar a espalhar-se. A possibilidade do evento concorre para que o evento se concretize.

Lamento, mas nenhum sistema estatista que passa por cima de elementares regras de direitos de propriedade pode funcionar. A capacidade de criar moeda consegue tapar muita coisa durante muito tempo, mas no final o valor da moeda tende para zero à medida que a quantidade tende para o infinito.

Quando acontecer, culpem o capitalismo.

2 Comentários »

  1. “Um Repo tem uma data de início e de fim”, CN

    Caro CN,

    De acordo. Eu escrevi isso no post em questão. Quanto à soma dos valores, o objectivo é evidenciar as enormes necessidades de refinanciamento de que sofrem os bancos nos Estados Unidos. A alavancagem existente no sistema norte-americano é simplesmente brutal.

    Comentário por Ricardo Arroja — Janeiro 31, 2008 @ 8:17 am

  2. [...] A propósito da acção do Fed, recomendo também a leitura dos comentários do Carlos Novais. [...]

    Pingback por blogue atlântico » Blog Archive » Inundação de dólares (2) — Janeiro 31, 2008 @ 9:43 am

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