O Insurgente

Janeiro 30, 2008

As injecções de dólares do Fed

Arquivado como: Economia, Internacional, Política — André Azevedo Alves @ 8:50 pm

Helicopter Ben. Por Ricardo Arroja.

Nos últimos doze meses, o FED de Nova Iorque conduziu um total de 164 operações REPO. No total, injectou mais de 1,4 triliões de dólares no sistema interbancário. Fê-lo a uma média de 8,6 mil milhões de dólares por operação. Ao ritmo de 14 operações por mês. A maior intervenção mensal ocorreu em Novembro (179 mil milhões) – quando os bancos começaram a divulgar estimativas das amortizações que teriam de realizar em consequência do “subprime”. Antes, a maior intervenção mensal tinha sido em Maio (168 mil milhões) – quando estourou o fundo da Bear Stearns, no que foi o primeiro indício sério do “subprime”.

(…)

Uma coisa é certa: a política monetária nos Estados Unidos é francamente acomodatícia. Mais que na Europa. Não só as taxas de juro são mais baixas (fenómeno recente), como também as operações REPO são executadas com muito maior regularidade e robustez (fenómeno não tão recente). Portanto, se na Europa o M3 cresce a 12%, é bem provável que nos Estados Unidos cresça muito mais. O FED está a vergar-se perante a Casa Branca e a encharcar a economia de dólares. Infelizmente, o problema não se resolve com mais notas. Resolve-se, precisamente, com o oposto. Com menos notas. Até que famílias e empresas regressem a níveis sustentados de endividamento – porque é disso que se trata na actual crise.

5 Comentários »

  1. e menos 50bp para alegrar ainda mais a malta…

    Comentário por AntónioCostaAmaral (AA) — Janeiro 30, 2008 @ 9:36 pm

  2. Receio que Ricado Arroja esteja s somar montantes indevidamente.

    Um Repo tme uma data de inicio e de fim.

    No inicio injecta, no final volta a receber o montante inicial (mais o juro) e ficando na posse durante esse prazo de divida publica como colateral.

    Em substância compra hoje e revende em data pré-fixada uma dada carteira de div. publica (ou até carteira de mortgage)

    Injecta e volta a retirar.

    Assim se fizer operações de repos semanais (e renovadas em cada semana) de 10 bilioes de USD durante um ano (52 operações), a liquidez injectada na prática foi de 10 biliões e não 10*52.

    Seja como for. os montantes envolvidos em operações que são renovadas têm vindo a aumentar.

    A liquidez é permanente injectada quando:

    - FED compra divida publica (monetização).
    - Quando as operações de intervenção se transformam em operações renovadas, mas quando assim é o FED acaba a comprar a dívida e não fazer repos renováveis.

    Lembrar que um balanço de um BC é:

    Activo: Divida Publica
    Passivo: Moeda Emitida

    - mo caso inglês, o Banco de Inglaterra substitui-se como financiador das linhas de crédito do Nothern Bank que desapareceram (os outros bancos deixaram de o financiar no interbancário). Isso foi efectuado por pura criação monetária - algo obsceno - para não deixar o banco cair em falência, o que devia ter acontecido, cumprindo-se o seguro previamente estipulado dos depositos até um certo montante.

    Não foi isso que aconteceu, simplesmente garantiram todos os depósitos e para isso o BC passou a financiar ele próprio o passivo.

    Que desculpa vai existir para um BC deixar cair um Banco? Na prática, assistimos à nacionalização total do risco do depositante em qualquer Banco. Os BC vão criar toda a moeda necessária para apoiar qualquer banco. De resto, o sistema assegurava desde o inicio que seria assim mais tarde ou mais cedo. Um dia, vai ter de “segurar” todo o sistema e quando isso acontecer vai provavelmente suspender o levantamento de depósitos. Quem conseguir levantar liquidez antes disso fica em vantagem. Assim, o mero risco de isso acontecer vai provávelmente assegurar uma grande e generalizada corrida dado essa percepção começar a espalhar-se. A possibilidade do evento concorre para que o evento se concretize.

    Lamento, mas nenhum sistema estatista que passa por cima de elementares regras de direitos de propriedade não pode funcionar. A capacidade de criar moeda consegue tapar muita coisa durante muito tempo, mas no final o valor da moeda tende para zero à medida que a quantidade tende para o infinito.

    Quanto acontecer, culpem o capitalismo.

    Comentário por CN — Janeiro 30, 2008 @ 9:49 pm

  3. [...] Comentário de CN ao post As injecções de dólares do Fed: Receio que Ricardo Arroja esteja a somar montantes indevidamente. [...]

    Pingback por O Insurgente » Blog Archive » As injecções de dólares do Fed (2) — Janeiro 31, 2008 @ 1:11 am

  4. O comentário do CN está acertadíssimo e vem desmistificar um pouco a crença popular e pouco informada das intervenções do fed. As operações de refinanciamento de curto-prazo são temporárias exactamente porque respondem a necessidades ou excesso de reservas temporários por parte dos bancos precisamente para evitar que se formem oscilações nas taxas de juro das reservas (fed funds) propagando desnecessariamente instabilidade. Esta foi (e continua a ser) uma das razões pelo qual o Fed foi criado. O exemplo paradigmático destas intervenções são os meses precedentes de natal em que o aumento da procura monetária não faz aumentar o fed funds devido a essas intervenções de política monetária.

    Já as intervenções sobre alterações do nível do fed funds (via aquisição se necessário em mercado aberto de títulos) podem ser muito mais discutíveis. Na minha opinião parece-me demais. Mas o teste principal será saber quanto tempo mais, o Fed vai manter esta política de juros baixo (com riscos excessivos de inflação).

    Só para acrescentar ao CN que as reservas dos bancos (liquidez) pode ser ainda permanentemente aumentada (no curto prazo) via operações na discount window.

    Comentário por Tiago Tavares — Janeiro 31, 2008 @ 8:31 am

  5. Sim, não é costume ser utilizada, embora o tenham incentivado recentemente.

    Reparar que se essas operações são constantemente renovadas podemos na verdade falar de injecção permanente de liquidez. E na verdade são mesmo sistemáticamente renovadas, tendo os valores médios de montantes (que nsão renovados) vindo a subir.

    Assmi, se não podemos falar de 10*52 semanas, podemos falar dos 10.

    O FED foi criado apara permitir a emissão de notas que diziam representar ouro (contrato civil) sem existir o ouro correspondente.

    Nesse sentido, serviu para mais eficazmente estabelecer uma “fraude” (emissão de recibos de ouro falsos) que culminou na Grande Depressão.

    O FED foi o culpado pela Grande Depressão (bem, na realidade foi Grande e não Passageira pelo socialismo fascizante de Roosevelt). Se não tivesse sido criado, não a teriamos tido.

    Solução? Roosevelt nacionalizau o ouro, proibiu a sua posse, e obrigou à aceitação compulsória de recibos/notas sem valor físico.

    Perdoem os termos tão claros, mas como dizia Ayn Rand, “A is A”.

    Comentário por CN — Janeiro 31, 2008 @ 12:39 pm

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