O Insurgente

Dezembro 10, 2007

His Face

Arquivado como: Colunas, Comentário, Internacional, Os Sinos Dobram Por Nós, Política — André Abrantes Amaral @ 11:37 am

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Nos últimos dias, Barack Obama tem subido nas sondagens, ultrapassando a própria Hillary Clinton no Iowa, cujo caucus terá lugar já no dia 3 de Janeiro.

Também neste mês de Dezembro, a revista The Atlantic, publica um artigo de Andrew Sullivan, intitulado Goodbye to All That; Um belíssimo texto no qual Sullivan explica porque acredita ser este o momento de Obama vencer. De se tornar o próximo presidente dos Estados Unidos da América.

Andrew Sullivan faz um retrato do que é a América hoje. Uma América dividida com as guerras culturais dos últimos anos. Fragmentada, já não só a um nível racial, mas num grau inteiramente novo. Uma divisão entre religiosos e ateus; entre conservadores e progressistas; os que combateram no Vietname e os que ficaram nas faculdades a lutar contra a guerra. A América hoje tem a marca da geração baby boom. Os seus medos, angústias, divisões, discussões, as suas vitórias e as correspondentes derrotas. O deslumbre e a desilusão. O assombro e a tristeza de quem não viveu a II Grande Guerra, mas assistiu ao fim de uma série de convenções sociais e sofreu tudo o que o encerramento de uma era representa.

Esta divisão tornou-se cada vez mais ruidosa com a chegada ao poder desta geração. Com a presidência de Clinton e agora com a de George W. Bush. Um ruído insustentável que, na opinião de Sullivan, um homem nascido nos anos 60, apenas pode ser ultrapassado por Barack Obama.

O que tem Obama de novo? Como o próprio Sullivan o diz: His face. A sua cara. A sua miscelânea. O que ela representa. O que esta significa para os inimigos recentes da América. Nascido no Havai, filho de pai queniano e mãe americana, Obama personifica a abertura do ideal americano às preocupações do mundo. A busca de uma vida melhor e, mais importante que tudo isso, a possibilidade de essa vida melhor ser encontrada na América. O país onde até um mestiço pode ser o homem mais poderoso do planeta. Haverá , de acordo com Sullivan, melhor mensagem para um miúdo que viva no Paquistão?

Associada a esta vantagem, Obama parece superar os dilemas da geração de 60. No que à religião diz respeito, não tem medo de se dizer crente, como não receia afirmar as suas dúvidas. Para ele, ser moderno já não é abandonar a fé; da mesma forma, por necessitar de votos, não faz profissões de fé que soam a falso. Chegou a crente, não porque lhe disseram dever ser assim, mas porque concluiu (a sua fé é também intelectual) que a religião andava de mãos dadas com os valores em que acredita.

Esta sua crença sincera; o ser mestiço e o não dar importância a isso; o ser de outra geração. A sua face. A ultrapassagem dos dilemas dos últimos 20 anos. Tudo num homem só. Não acredito em milagres e suspeito sempre do esforço hercúleo de um só. Sucede que os EUA são um país que gosta de sonhos, tem fé na bondade intrínseca dos homens e Obama, com aquele carisma muito peculiar, o brilho que faz a diferença, é a mais valia que convence os eleitores. A ideia que tudo é possível. Que o pragmatismo só, não chega. No fundo, a verdadeira mensagem da América.

8 Comentários »

  1. Já viram esta notícia:

    http://www.lavanguardia.es/lv24h/20071210/53416658257.html

    Un abogado turco pide a la UEFA una sanción contra el Inter por una camiseta que cree ofensiva para el islam

    De momento é só para rir, mas esperemos pela resposta da UEFA.

    Comentário por fb — Dezembro 10, 2007 @ 12:20 pm

  2. [...] partilho o entusiasmo do André Abrantes Amaral com Barrack Obama, mas recomendo a leitura do seu excelente [...]

    Pingback por blogue atlântico » Blog Archive » Obama, Clinton e Giuliani — Dezembro 10, 2007 @ 3:48 pm

  3. [...] A blogosfera portuguesa Tenho lido na blogosfera portuguesa textos muito interessantes sobre as presidenciais americanas. André Abrantes Amaral, do Insurgente, demonstra o seu entusiasmo pela candidatura de Barack Obama, neste texto, “His Face”. [...]

    Pingback por A blogosfera portuguesa « Eleições Americanas de 2008 — Dezembro 10, 2007 @ 4:00 pm

  4. Belo post, sim senhor. Espero que tenhas razão.

    Comentário por ezequiel — Dezembro 10, 2007 @ 4:37 pm

  5. Belo texto. Se alguém tão bom como Obama não for travado nas eleições, será depois. JFK foi o último que se atreveu a ter um discurso com tamanha chama de esperança e, 2 anos depois, dele já só rezava a história. Enfim, Obama seria o melhor que podia acontecer ao mundo, mas duvido que o submundo permita.

    Comentário por Pedro p. — Dezembro 11, 2007 @ 5:22 am

  6. Excelente texto!

    Creio que estás carregado de razão.

    Comentário por JTCB — Dezembro 11, 2007 @ 2:14 pm

  7. [...] não as receia, porque ao não as recear não teme ter que as enfrentar. Além do mais Obama tem a vantagem de permitir à América o ultrapassar de vez as polémicas que marcaram a geração de 60. Conseguir isto não é qualquer que [...]

    Pingback por blogue atlântico » Blog Archive » Um estilo de esperança (2) — Fevereiro 13, 2008 @ 11:34 am

  8. Bom texto, sem neo-coneirices. Subscrevo. Obama é de longe o melhor para a América, para o Mundo e para a imagem da América no Mundo (que anda pelas ruas da amargura).

    Comentário por Euroliberal — Fevereiro 13, 2008 @ 5:26 pm

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