Pode ler-se hoje no Blasfémias:
Fazer bebés é uma tarefa eminentemente liberal. Pertence às pessoas, está no domínio exclusivo das suas livres escolhas – o Estado deve sair dessa equação. A ingerência pública só dá maus resultados, como se vê. Se os portugueses têm menos filhos (isto é, contribuintezinhos) é porque são asfixiados com impostos directos, indirectos, laterais, verticais e oblíquos (…). Para que nasçam mais bebés a sociedade tem de se libertar do Estado.
Acho que ninguém duvida que eu simpatizo com as ideias liberais. Agora, nem eu na minha inflexível ortodoxia algum dia me lembraria de dizer que “fazer bébés é uma tarefa eminentemente liberal”, ou que “para que nasçam mais bebés a sociedade tem de se libertar do Estado”. Ao ler este texto, lembrei-me dos tempos do Estado Novo, onde o país viveu uma profunda crise de natalidade.
A natalidade depende, certamente, de motivações económicas, mas está condicionada sobretudo por razões culturais e de estilo de vida. Os portugueses optam por ter menos filhos, e o seu estilo de vida - muitas vezes, infelizmente, imposto, com horários de trabalho irreais, falta de uma efectiva rede de apoio ao exercício da paternidade/maternidade, casas cada vez mais diminutas - tem esse efeito perverso.
Meninos e meninas: antes de avançar para a mui interessante arte da reprodução não se esqueçam de ler uma passagem - ainda que pequenina e à pressa - do livro do Sr. Hayek ou da Señorita Rand. Eles estão em toda a parte. Amén.
o que é isso de “obiquidade”?
Comentário por fernando silva — Novembro 27, 2007 @ 6:37 pm
Caro Fernando Silva,
Apenas uma brincadeira, um “trocadalho com carilho” com a expressão “ubiquidade”, que significa estar em toda a parte, sem omnipresente. Na religião católica, tal é uma das capacidades divinas.
Comentário por RAF — Novembro 27, 2007 @ 6:45 pm
Em França, o incentivo à natalidade é de cerca de 600€ a partir do 3º filho. Deve ser uma empresa privada a fornecer este incentivo, certamente… a malta do Blasfémias às vezes tem cada uma!
Comentário por Pedro Gomes — Novembro 27, 2007 @ 10:27 pm
[...] O liberalismo enquanto expressão de “óbiquidade”. Por RAF. [...]
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