O Insurgente

Novembro 14, 2007

Na nossa república democraticamente legitimada, tal seria impensável

Arquivado como: Blogosfera, Comentário, Justiça — João Luís Pinto @ 8:57 pm

Daniel Oliveira indigna-se (1, 2, 3) com o processo relativo à caricatura do jornal humorístico El Jueves, e com o seu anunciado desfecho.

Felizmente por cá, a nossa lei republicana (acompanhada da famosa ética) faria com que tal processo e desfecho fossem impossíveis.

Artigo 328º
Ofensa à honra do Presidente da República

1 - Quem injuriar ou difamar o Presidente da República, ou quem constitucionalmente o substituir é
punido com pena de prisão até 3 anos ou com pena de multa.

2 - Se a injúria ou a difamação forem feitas por meio de palavras proferidas publicamente, de publicação de escrito ou de desenho, ou por qualquer meio técnico de comunicação com o público, o agente é punido com pena de prisão de 6 meses a 3 anos ou com pena de multa não inferior a 60 dias.

Artigo 332º
Ultraje de símbolos nacionais e regionais

1 - Quem publicamente, por palavras, gestos ou divulgação de escrito, ou por meio de comunicação com o público, ultrajar a República, a bandeira ou o hino nacionais, as armas ou emblemas da soberania portuguesa, ou faltar ao respeito que lhes é devido, é punido com pena de prisão até 2 anos ou com pena de multa até 240 dias.

2 - Se os factos descritos no número anterior forem praticados contra as Regiões Autónomas, as bandeiras ou hinos regionais, ou os emblemas da respectiva autonomia, o agente é punido com pena de prisão até um ano ou com pena de multa até 120 dias.

Código Penal Português.

14 Comentários »

  1. Este post é nitidamente fássista!

    Comentário por André Azevedo Alves — Novembro 14, 2007 @ 9:02 pm

  2. Nitidamente, diria mais… :)

    Comentário por João Luís Pinto — Novembro 14, 2007 @ 9:04 pm

  3. A pedir uma estadia no campo pequeno… ah bons tempos

    Comentário por DLM — Novembro 14, 2007 @ 9:28 pm

  4. Nao o post… o autor

    Comentário por DLM — Novembro 14, 2007 @ 9:29 pm

  5. «faltar ao respeito que lhes é devido»

    que respeito lhes é devido?

    o que é o respeito?

    é-lhes devido porquê?

    quem define?

    Tretas. A serem usadas cirurgicamente quando se entenda conveniente.

    Comentário por Gabriel Silva — Novembro 14, 2007 @ 9:37 pm

  6. “Nao o post… o autor”

    :)

    Comentário por André Azevedo Alves — Novembro 14, 2007 @ 10:02 pm

  7. [...] complemento a este post do PPM recomendoi estes dois do JLP: Na nossa república democraticamente legitimada, tal seria impensável e Na nossa república democraticamente legitimada, tal seria impensável [...]

    Pingback por blogue atlântico » Blog Archive » A “ética republicana” é outra coisa — Novembro 14, 2007 @ 10:12 pm

  8. Elementar, o que escreve Gabriel Silva. Obviamente que isto sao principios gerais que existem mais ou menos em todo o mundo civilizado. Depois e’ preciso interpreta-los. Nao ha’ absolutos (salve-se a excepcao da regra ela propria).

    Comentário por Tiago Mendes — Novembro 14, 2007 @ 10:13 pm

  9. pois Tiago. Mas se calhar não me fiz entender.
    Entendo que tais comportamentos não devem sequer ser objecto de regulação, punição ou o que seja. Não defendem nenhum valor susceptivel de concretização e, pelo contrário, coagem outros certamente mais relevantes.
    Para além da defesa da propriedade ( se a bandeira não de quem a queimou,) ou da honra da pessoa (é indiferente se o difamado é PR, king size ou moi memme), não vejo nesses casos porque razão devam existir leis especiais.
    O resto são panos, crachás e canções.

    Comentário por Gabriel Silva — Novembro 14, 2007 @ 11:31 pm

  10. “Entendo que tais comportamentos não devem sequer ser objecto de regulação, punição ou o que seja.”

    Pelo menos enquanto D. Duarte não regressar ao trono…

    Comentário por João — Novembro 15, 2007 @ 12:53 am

  11. “Nao ha’ absolutos (salve-se a excepcao da regra ela propria).”

    Esta afirmação é contraditória mas o seu autor parece ainda não ter dado conta disso.

    Comentário por Miguel — Novembro 15, 2007 @ 8:42 am

  12. :)

    Comentário por André Azevedo Alves — Novembro 15, 2007 @ 12:05 pm

  13. “O resto são panos, crachás e canções.”

    É espantosa a rapidez e superficialidade com que se pontifica.
    Não entendo..logo não presta…

    Os símbolos têm um valor inestimável, na definição das pertenças.
    Milhões de pessoas sempre estiveram, estão e estarão dispostas a morrer e matar não por eles, mas pelo que significam.

    Essa capacidade e disponibilidade para lutar por símbolos é justamente uma das coisas que nos distingue do resto do mundo animal.
    Os touros lutam por puro instinto, pela sobrevivência, pela posse da fêmea. É o institnto que os guia.
    Os homens lutam por símbolos.
    Chamar-lhe meros “panos,crachats e canções”, só pode ser uma piada. Ou então um sintoma de séria disfuncionalidade, porque é profundamente anormal que nada se sinta quando os símbolos da nossa pertença são evocados.

    Milhões de pessoas emocionadas ao ouvir o hino nacional em certas ocasiões, demonstram onde está a normalidade.
    A humanidade…aquilo que nos faz homens e mulheres e não apenas “bestas sadias, cadáveres adiados que procriam”

    Comentário por Lidador — Novembro 15, 2007 @ 12:57 pm

  14. “Nao ha’ absolutos ”

    Como escrevia Ortega y Gasset, há um século, referindo-se à massa, “não há absolutos, cada um é o seu próprio absoluto, o seu próprio Rei-Sol. É fartar vilanagem”

    Comentário por Lidador — Novembro 15, 2007 @ 2:09 pm

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