Um problema (entre outros) dos actuais cursos de Economia é a falta de atenção aos ensinamentos de Frédéric Bastiat e da falácia da janela quebrada. Na sua obra “Ce qu’on voit et ce qu’on ne voit pas” (versões em inglês e espanhol), Bastiat exemplifica - de forma brilhante - que não basta olhar para a actividade económica gerada pela janela partida mas há que considerar, também, o que não se vê: a actividade económica que deixa de ser realizada por este “desvio” de riqueza.
Infelizmente, 157 depois, tal erro continua a ser muito comum. Via LRC, um artigo no Los Angeles Times sobre a recente vaga de fogos florestais no Estado da Califórnia (meus destaques):
Despite the destruction of more than 1,600 homes and buildings, massive evacuations and widespread business closures, Southern California’s vast, diverse economy probably will withstand this latest disaster with little long-term damage, economists say.
In fact, some observers see a boon to areas such as construction, which is down 28,600 jobs through September, a 3% decline from the previous year, according to the state Employment Development Department.
“In the odd nature of economic accounting, this will probably be a stimulus,” said Alan Gin, a University of San Diego economist. “There will be a huge amount of rebuilding in the next couple of years, financed by insurance payments.”
Lamentavelmente, o referido economista-míope não conseguiu “ver” o aumento dos prémios de seguro e a redução dos lucros das seguradoras, com consequências sobre o consumo e investimento dos agentes económicos afectados. Aliás, para minimizar tal destruição de riqueza, algumas seguradoras chegam ao ponto de contratar serviços privados de combate ao fogo (via LRC) a fim de protegerem as habitações dos seus clientes.
De vez em quando convém voltar às fontes e perceber que há debates que já foram feitos.
Sobre os problemas do socialismo e do excesso de intervenção do Estado na sociedade civil, escrevia, em 1850, Frederic Bastiat:
“O socialismo confunde Governo com sociedade. E por isso, sempre que alguém se opõe a que algo seja feito pelo Governo, o socialismo conclui que se opõe a que esse algo seja feito.
Se não se concorda que a educação seja responsabilidade do Estado, então é porque se é contra a educação. Se se afirma que a igualdade não é trazida pelo Estado, então é-se contra a igualdade, etc.
Podem- nos até acusar de não querermos que as pessoas comam porque nos opomos a que seja o Estado a cultivar o milho”
Bastiat escrevia isto há mais de 150 anos.
Comentário por Lidador — Outubro 25, 2007 @ 7:27 pm
Por falar em queimado: sera que os mais de 100mil soldados americanos no iraque nao poderiam resolver este pequeno problema que aflige ainda alguns cidadoes norte americanos????
Comentário por Vagabundo do Dharma — Outubro 25, 2007 @ 8:44 pm
Se soprassem todos ao mesmo tempo…
Comentário por Miguel — Outubro 25, 2007 @ 9:15 pm
Excelente post.
Comentário por André Azevedo Alves — Outubro 25, 2007 @ 9:16 pm
‘’sera que os mais de 100mil soldados americanos no iraque nao poderiam resolver este pequeno problema que aflige ainda alguns cidadoes norte americanos????
A grande maioria dos soldados americanos no Iraque não têm formação de combate a fogos florestais e muitos deles são reservistas, pelo que, não havendo guerra, estariam a trabalhar e, portanto, indisponíveis para realizar tal tarefa.
Comentário por BZ — Outubro 25, 2007 @ 9:33 pm
[...] A janela queimada. Por Bz. [...]
Pingback por blogue atlântico » Blog Archive » Destruir riqueza não cria riqueza — Outubro 25, 2007 @ 10:16 pm
“Por falar em queimado: sera que os mais de 100mil soldados americanos no iraque nao poderiam resolver este pequeno problema que aflige ainda alguns cidadoes norte americanos????”
Os soldados americanos estão a matar jihadistas para que possas falar á vontade…
Comentário por lucklucky — Outubro 25, 2007 @ 10:18 pm
Ainda hoje calhou falar no “ce q’on voit et ce qu’on ne voit pas” e de Bastiat a um colega assalariado a propósito de uma pendência lá repartição e recordando a destruição/reconstrução provocada pelo Katrina.
Coincidência ou simplesmente sinal da mítica unicidade discursiva insurgente?
Deixo a proposta de reflexão aos insurgentólogos…
Comentário por LA — Outubro 25, 2007 @ 10:55 pm
“Se soprassem todos ao mesmo tempo…”
E para o mesmo lado…
Comentário por André Azevedo Alves — Outubro 25, 2007 @ 11:15 pm
Pois. Isso faria toda a diferença.
Comentário por Miguel — Outubro 25, 2007 @ 11:27 pm