Periodicamente assistimos a uma epidemia de açaimite.
Todos sabem o que é um açaime. O meu grande pastor costuma trazer um açaime quando sai de casa, não por ele ser capaz de morder num transeunte, mas porque a lei assim manda. Há também quem tente silenciar o seu cão colocando o açaime. Mas a açaimite epidémica não se aplica à raça canina; chega também aos humanos. Os que desejam evitar debates, para os quais não se sentem preparados, tentam açaimar os outros.
É o caso corrente do Professor Watson, que teve a infelicidade de tocar num assunto tabu dum modo algo superficial.
A seguir, como é usual, caíram-lhe em cima todos os bem-pensantes, ansiosos para exibir as suas credenciais anti-racistas. Ai de quem ousasse chamar atenção para os perigos da açaimite. Ficaram logo colocados entre os apoiantes do Professor Watson. Não importa a defesa dos direitos de livre expressão. Não importa citar Voltaire ou J.S. Mill. Apoiar o direito de expressão de alguém cujas opiniões não cumpram os preceitos do cânone é prova irrefutável do pior reaccionarismo, conservadorismo, racismo, fascismo, e por aí fora.
O mais aflitivo nestes casos é que os falsos anti-racistas nem sabem do que estão a falar. Não estudaram o assunto, não conhecem a sua complexidade. Simplesmente repetem uns lugares comuns e fazem apelo à vitimologia. Recomendo a essa gente a leitura de alguns livros. Em primeiro lugar, a magnífica trilogia do professor (negro) Thomas Sowell, e especialmente o volume intitulado Race and Culture. Segundo, America in Black and White: One Nation, Indivisible
. Este livro do casal Stephan e Abigail Thernstrom, de quase 700 páginas é uma mina de ouro para quem queira seriamente estudar o assunto. Os dois eminentes professores não negligenciam qualquer faceta do racismo na América. E apontam factos surpreendentes, capazes de ofender os amantes de lugares comuns, sejam a favor de brancos ou de negros. A minha edição é de 1997 e traz na página 535 as seguintes palavras:
The “disabilities” of Chinese, Japanese, and other Asian immigrant groups were far from “permanent”, we now see. Asian Americans have achieved spectacular economic and social mobility in recent decades. Though less than 4 percent of the population, they are currently 19 per cent of the student body of Harvard and 11 per cent of all the physicians in the United States. In 1992, 47 percent of Asian Americans aged twenty-five to forty-four were college graduates, a rate two-thirds higher than that for non-Hispanic whites. Some 63 percent held managerial, professional, technical, or administrative jobs in 1990, again well ahead of non-Hispanic whites. Average annual income for US-born Asian families, according to the 1990 Census, was $47,840, more than a third above the national average. The median family income of Chinese Americans born in the United States was $56,762, 61 percent above the national average, native-born Japanese Americans had incomes 50 percent above the national average.
Talvez ainda mais surpreendente é o facto que os piores números entre os vários grupos brancos encontram-se nos italianos e nos irlandeses. E isto apesar do facto que os imigrantes irlandeses não tiveram que enfrentar os problemas linguísticos comuns às gentes da Europa continental.
Uh? O que e que isto tem a ver com o tema em discussao, a inteligencia? Todos os testes revelam que a inteligencia dos leste asiaticos (chineses, japoneses, coreanos) e superior aos europeus ou caucasianos.
Comentário por FTA — Outubro 22, 2007 @ 8:28 pm
Peço desculpa: está enganado. O tema em discussão não é a inteligencia, mas sim a tentativa sistemática de desencorajar o debate sobre este tema. E é isto que me preocupa e devia preocupar todos os amantes da liberdade.
Comentário por Patricia Lanca — Outubro 22, 2007 @ 8:55 pm
A Patricia Lanca tem muita razão ao dizer que evitar ou tentar desencorajar o debate acerca de qualquer assunto é sempre preocupante e constirui um atentado à liberdade de formar opinião.
No entanto, temo que esse tipo de questões sejam sempre levantados pelos mesmo tipo de pessoas; as mesmas que inventaram (em meu entender) a perniciosa designação “afro-americano” “latinos” etc…
Aliás, como mulher que é, deve saber o quão perniciosos podem ser esse género de argumentos (mutatis mutandis raça/género). Um exemplo (fictício): “até à decada de 60 não havia mulheres em física teórica, logo estas são incapazes de tratar de assuntos similares!”
Cumprimentos
Comentário por Daniel Azevedo — Outubro 22, 2007 @ 9:19 pm
Excelente texto.
Comentário por André Azevedo Alves — Outubro 22, 2007 @ 9:37 pm
“O tema em discussão não é a inteligencia, mas sim a tentativa sistemática de desencorajar o debate sobre este tema. E é isto que me preocupa e devia preocupar todos os amantes da liberdade.”
Exactamente.
Comentário por André Azevedo Alves — Outubro 22, 2007 @ 9:37 pm
[...] RACISMO, ANTI-RACISMO E A ESTRATÉGIA DO AÇAIME. Por Patrícia Lança. [...]
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[...] RACISMO, ANTI-RACISMO E A ESTRATÉGIA DO AÇAIME [...]
Pingback por Yet Another Blog » Blog Archive » Sugestões de leitura (8) — Outubro 22, 2007 @ 10:56 pm
Excelente texto, muito elucidativa a passagem final copiada.
Comentário por Tiago Mendes — Outubro 22, 2007 @ 11:21 pm
Nao percebi minimamente o que quer dizer com a passagem citada. Pois se precisamente os asiaticos tem resultados de inteligencia muito superiores aos caucasianos!
Comentário por FTA — Outubro 23, 2007 @ 2:17 am
“Nao percebi minimamente o que quer dizer com a passagem citada. Pois se precisamente os asiaticos tem resultados de inteligencia muito superiores aos caucasianos!”
Historicamente, tal crença nem sempre foi nesse sentido. De facto, pensava-se muito o contrário ainda no início do século passado.
Comentário por ulaikamor — Outubro 23, 2007 @ 7:56 am
ulaikamor diz:
23 de Outubro de 2007 às 7:56 am
“Nao percebi minimamente o que quer dizer com a passagem citada. Pois se precisamente os asiaticos tem resultados de inteligencia muito superiores aos caucasianos!”
Não são “muito superiores”, a diferença em testes de QI entre caucasianos e asiáticos do leste (China, Coreia e Japão) é de apenas 5 pontos, para um desvio padrão da distribuição de 15 pontos.
Por outro lado, os brancos pontuam, em média, 15 a 30 pontos (1 a 2 s.d.) acima dos negros.
Comentário por Ray — Outubro 23, 2007 @ 10:08 am
Boicotar olimpiadas de Pequim é um racismo disfarçado com interresses políticos e econômicos.
Boicotar a china por causa da pirataria? Pois os ingleses saquearam o mundo todo, usaram ópio para escravizar as antigas colônias, cometeram inúmeros genocídios. Então vamos boicotar inglaterra? huahuahuah hipocrisia!
A mídia ignora o Japão, talvez porque eles são superiores e as pessoas ficam incomodadas? Mas a mídia faz questao de mostrar as desgraças da China? ok
Comentário por Max — Agosto 8, 2008 @ 5:37 pm