O Insurgente

Outubro 18, 2007

Fundos europeus e segurança social

Arquivado como: Comentário, Política, Portugal, União Europeia — André Abrantes Amaral @ 1:29 pm

Foram ontem assinados os programas do Quadro de Referência Estratégico Nacional para os anos de 2007 a 2013. Dentro deste quadro Portugal vai receber vários milhares de milhões de euros que serão essencialmente canalizados para a competitividade e o desenvolvimento sustentável, os palavrões agora em voga.

O que se pretende novamente é recuperar o tempo perdido e, em vinte anos (onde já ouvimos isto?), alcançar o nível de vida dos mais ricos da Europa. Desta vez a ideia é aplicar os fundos europeus para dinamizar a sociedade civil, tornando-a empreendedora, capaz de assumir riscos, prepará-la para os desafios da sociedade global.

Sucede que, quando o problema é estrutural, o desenvolvimento não se faz abrindo as carteiras. As mentalidade dos povos não se muda enchendo os bolsos das pessoas. Estas mudam quando sentem necessidade de o fazer.

Um dos maiores problemas de hoje é a sustentabilidade da segurança social. Uma situação tão crítica que não há coragem de libertar os que têm menos de 35 anos deste suicídio colectivo, sob pena de o sistema entrar em ruptura. É assim que, uma boa forma de aplicar os fundos europeus seria utilizando-os no pagamento das reformas de quem se quer reformar, permitindo que os mais jovens não tivessem de continuar a descontar para a colectividade. Esta sim, seria uma boa maneira de incentivar as pessoas a assumirem riscos, a apostarem em si mesmas, tornando-as dinâmicas e empreendedoras.

Permitir que as pessoas planeiem a sua reforma, pensem o seu futuro, é a única de conseguir uma sociedade responsável. Que não se abstenha ficando à espera que uns senhores no governo, ou na união europeia, lhe dêem de mão beijada dinheiro cuja má aplicação iremos lamentar daqui a uns tempos.

1 Comentário »

  1. «O alarido à volta do Tratado de Lisboa diverte-me. Dá a ideia de que Eu posso fazer alguma coisa para encaminhar a História num ou noutro sentido conforme haja ou não referendo. Não posso. O futuro meus caros, é para quem pode e a cidadania é uma treta inventada sei lá onde para enganar incautos.(…)»

    “Ouvi dizer” que a cidadania foi inventada pela Revolução Francesa (Liberdade, Igualdade, Fraternidade), meu caro “cidadão”.

    Comentário por Zenix — Outubro 20, 2007 @ 4:59 pm

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