De acordo com o último noticiário televisivo, António Costa e Sá Fernandes terão acordado obrigar os construtores civis a venderem 20% das casas que construírem, em Lisboa, a preço de custo. Estamos perante um claríssimo caso de analfabetismo económico. Esta intromissão no funcionamento do mercado conduzirá não só a uma realidade artificial e não natural, como ainda terá como principal consequência a procura frenética da melhor forma de tornear a nova obrigação. Venda-se a preço de custo a um tio, primo, amigo, ao periquito, a quem quer que seja que possa ganhar com uma venda posterior. Como em todos os casos de analfabetismo imposto pela força, existe a imoralidade do poder político obrigar a quem trabalha com o seu dinheiro e risco, o seu esforço e empenho, sacrificar-se em prol dos interesses eleitorais de uns poucos. Do interesse de Costa em garantir uma maioria para governar Lisboa, o interesse de Sá Fernandes e do BE em chegar ao poder e se apresentarem ao eleitorado como os grandes justiceiros, mesmo que sempre à custa da violação dos direitos de alguns. Porque não é só o bom funcionamento da economia que paga com estes disparates. É todo o conceito de Liberdade e de Estado de Direito que nos é dito ser o que existe em Portugal.
Agosto 1, 2007
19 Comentários »
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[...] O analfabetismo. Por André Abrantes Amaral. [...]
Pingback por blogue atlântico » Blog Archive » Analfabetismo económico na Câmara de Lisboa — Agosto 1, 2007 @ 1:47 am
Esta e’ a coisa mais estupida que eu ja’ alguma vez ouvi.
So’ um louco e’ que constroi em Lisboa. Poe Lisboa em desvantagem em relacao a outras cidades. E’ uma parvoice que so’ mesmo socialistas poderiam engendrar.
Comentário por Carlos Carvalho — Agosto 1, 2007 @ 3:48 am
[...] quem irá pagar a diferença entre o preço de mercado e o “preço justo” das . Adivinhem o que irá acontecer ao preço de venda dos 80% [...]
Pingback por O Insurgente » Blog Archive » O analfabetismo (II) — Agosto 1, 2007 @ 8:40 am
Portugal é um país onde se faz bons negócios quando se tem amigos no governo. Assim, adivinho facilmente a quem vai calhar os famosos alojamentos a preço de custo.
Adivinho também que o “decisor visionário” poderá receber uma “gratificação” do comprador a baixo preço. É assim que se luta contra a corrupção.
Comentário por Filipe Melo Sousa — Agosto 1, 2007 @ 9:38 am
Outro exemplo disso: apartamentos da EPUL comprados por 70.000 € na Ameixoeira, à venda por 150.000 €.
É fácil obter um apartamento quando se conhece alguém lá dentro. Umas “prendas” para a pessoa certa na altura de natal ajudam à decisão.
Comentário por Filipe Melo Sousa — Agosto 1, 2007 @ 9:40 am
“Adivinho também que o “decisor visionário” poderá receber uma “gratificação” do comprador a baixo preço. É assim que se luta contra a corrupção”
Qual quê! Aquela gente é incorruptível.
Comentário por Miguel — Agosto 1, 2007 @ 9:56 am
Ao aumento do custo das casas, temos de acrescentar um aumento do IMI, para que a Super-Procuradora-Adjunta e a Super-Equipa (que aquela gente é toda muito bem paga) possam investigar os dirigentes municipais incorruptíveis.
Comentário por Filipe Melo Sousa — Agosto 1, 2007 @ 10:05 am
Mas só assim é que teremos um Estado pluralista! Nada de singularidades barrocas que oprimem o povo, um povo que referenda, um povo que sabe bem o que quer! Sim, porque só existe um povo e o Senhor Pinto de Sousa é o seu Profeta!
Muhahaha!
Nem à bomba, meus caros, já nem à bomba… É deixar a tenda arder.
Comentário por Ringthane — Agosto 1, 2007 @ 10:44 am
A ver vamos o impacto de tais medidas.
Se trouxerem novos habitantes para Lx, mais classe média, então terão de ser consideradas positivas, por muito que isso custe aos insurgentes; e porque Lisboa é um assunto demasiado importante para ser deixado ao mercado. E se, como dizia Oscar wilde, o artificial é que conta, deixemos então o reino da espontaneidade ao mercado, essa entidade que no mundo insurgente adquire propriedades religiosas.
Comentário por Luís Marvão — Agosto 1, 2007 @ 12:48 pm
“Se trouxerem novos habitantes para Lx, mais classe média, então terão de ser consideradas positivas”
Como é que encarecer o mercado da habitação e favorecer a corrupção e o nepotismo pode ser considerado positivo?
Comentário por André Azevedo Alves — Agosto 1, 2007 @ 2:21 pm
“Lisboa é um assunto demasiado importante para ser deixado ao mercado”
Gostava de saber o que é que não é “demasiado importante para ser deixado ao mercado”. A tua preferência pelos “decisores iluminados” é preocupante.
Comentário por Miguel — Agosto 1, 2007 @ 2:50 pm
“essa entidade que no mundo insurgente adquire propriedades religiosas.”
Continuas a achar que o “mercado” é uma entidade com vida propria. Tens que ler mais vezes O Insurgente…
Comentário por Miguel — Agosto 1, 2007 @ 2:52 pm
[...] prática, esta ultra-demagógica medida que resulta da aliança entre António Costa e Sá Fernandes consiste em mais um (pesado) imposto [...]
Pingback por O Insurgente » Blog Archive » O analfabetismo (V) — Agosto 1, 2007 @ 3:23 pm
Caro Luis Marvão,
«e porque Lisboa é um assunto demasiado importante para ser deixado ao mercado»
Esta frase é a coisa mais estúpida e umbigocêntrica que tenho lido nos últimos anos. Porque Lisboa e não nas restantes zonas do país. E já agora, quem paga este subsídio? Os empreiteiros não são de certeza.
Isto deve ser inscontitucional, violar alguma norma sobre concorrência na UE, só mesmo neste país de cornos mansos é que se faz um crime destes.
Comentário por RAF — Agosto 1, 2007 @ 5:19 pm
«Como é que encarecer o mercado da habitação e favorecer a corrupção e o nepotismo pode ser considerado positivo?»
Que a proposta encarece o mercado de habitação é conclusão sua. Que favorece a corrupção é conclusão sua. Que favorece o nepotismo é conclusão sua.
Três conclusões, e todas três erradas. A habitação não vai encarecer porque não há margem para isso. Em vez de elevar os preços os empresários vão ter de aprender a fazer rodar o stock muito mais rapidamente. Resultado: é até possível que os preços em geral baixem, contra o que nos diz a intuição.
Para impedir a corrupção e o nepotismo, basta uma medida muito simples: é que durante um certo prazo as habitações em causa não possam ser revendidas.
Comentário por José Luiz Sarmento — Agosto 2, 2007 @ 3:22 am
RAF:
Tem razão, não é só Lisboa.
A vida é demasiado importante para ser deixada ao mercado.
Quem paga o «subsídio»? Os empreiteiros, naturalmente. Já é tempo de começarem a pagar alguma coisa. Mas não tenha pena deles: depressa vão encontrar forma de se ressarcirem desse custo. E se o fizerem, como espero, por via da rotação rápida dos stocks, no fim ficarão todos a lucrar, incluindo eles próprios.
Comentário por José Luiz Sarmento — Agosto 2, 2007 @ 3:30 am
“Quem paga o «subsídio»? Os empreiteiros, naturalmente.”
Naturalmente…
Comentário por André Azevedo Alves — Agosto 2, 2007 @ 11:35 am
Naturalmente, sim. Já foram subsidiados tempo demais, e «não há almoços grátis».
Comentário por José Luiz Sarmento — Agosto 3, 2007 @ 12:24 am
Muito bem André.
Comentário por AA — Agosto 5, 2007 @ 10:10 pm