A Semana Política
27/05/07-02/06/07
Sócrates foi a Moscovo, e as fotografias do seu jogging matinal na Praça Vermelha, com a t-shirt suada que faz as delícias das adolescentes e das redacções, encheram os jornais portugueses. Mas ao contrário do que se poderia pensar, Sócrates não corria para se esconder devido à vergonha que as suas declarações na capital russa lhe deveriam ter causado.
Como será do conhecimento do leitor, Portugal prepara-se para receber a Presidência da UE, e Vladimir Putin, presidente russo, prepara-se para continuar com as suas ameaças aos vizinhos. Seria por isso inevitável que as relações entre a UE e a Rússia estivessem em cima da mesa. E se seria escusado exigir ao Primeiro-Ministro português que fosse ao Kremlin esmurrar o urso russo, dispensava-se que fizesse tão longa viagem com o mero propósito de alimentar o ego do dito. Aparentemente, as relações entre a Rússia e a UE são “um assunto muito sério”, e não poderão ser “contaminadas” por “lições irresponsáveis” sobre democracia. Sócrates terá mesmo acrescentado que na Europa também há problemas de violação de direitos humanos e da liberdade de expressão.
Alguns dos mais recentes acontecimentos em Portugal acabam por dar razão ao Primeiro-Ministro. Talvez por isso ninguém iria estranhar se a viagem de Sócrates à casa de Putin tivesse como propósito a troca de ideias sobre eventuais formas de melhorar alguns dos métodos que ambos parecem tanto apreciar.