Para lá da esquerda e da direita
Mitterrand dizia, ao contrário da opinião geral, que a França não é um país de esquerda. A França é um país conservador, cuja administração é arrogante e onde o temperamento fundamental é pouco conciliador.
Rui Tavares, no 5 Dias
Se não é dificil associar a arrogância e o culto do estatismo a uma certa direita, diria que as características descritas pelo Rui Tavares, citando Miterrand, podem encontrar-se também no comportamento actual da esquerda. Há na esquerda hoje um sector particularmente conservador, no sentido em que resiste à minima mudança, que discute as questões políticas e da actualidade sem serenidade, partindo imediatamente para os rótulos, chavões, e acusações de ordem moral (a partir da grelha dominante, ‘politicamente correcta’), que se exprime em manifestações, muitas vezes acompanhadas de uma dose significativa de violência urbana. Num mundo plural e incerto, as dicotomias são cada vez mais numerosas e amplas, para lá das estáticas ‘esquerda’ e ‘direita’; mas, se as quisermos ‘arrumar’ (de uma forma simplista, é certo), diria que temos, de um lado, os que apresentam uma certa flexibilidade (pelo menos mental) para acompanhar as alterações aceleradas impostas pelo metabolismo do globo, e os que persistem em defender estruturas rígidas (que começam a ceder nos seus alicerces), os que insistem em resistir às mudanças, muitas vezes furtando-se à realidade e rejeitando o debate político substantivo. O conservadorismo, o imobilismo e o estatismo estão enraizados no nosso tecido social, à direita e à esquerda. Tendo contudo em atenção que as mudanças necessárias associadas à globalização (que tem aumentado a distribuição da riqueza em termos mundiais; ao contrário do que se aventa, é nos países em vias de desenvolvimento que se concentram os focos mais dinâmicos das globalização) apontam para a destruição de muito do que é o património da esquerda nas sociedades mais ricas (previdência, funcionalismo público, segurança no emprego e no desemprego), é neste quadrante ideológico que se têm situado as maiores resistências, é aqui que se tem consolidado um novo tipo de conservadorismo.

Um bom regresso do RAF. Parabéns.
Já agora, dois ou três comentários:
- A Esquerda e muita Direita, ainda não perceberam que o “Rendimento Mínimo Garantido” em Portugal é percepcionado de forma diferente, do que é percepcionado no Vietname ou em Angola!
- O Salário Mínimo Nacional parece que é encarado de forma diferente no Luxemburgo, em Portugal ou na Indía. Curiosamente ou não, na Indía e no Luxemburgo, apesar das enormes diferenças no SMN, a riqueza aumenta e o desenvolvimento económico é uma realidade.
E esta, hein!
Comentário por Jose Sarney — Maio 9, 2007 @ 12:57 pm