Estou, no essencial, de acordo com este post de Patrícia Lança mas continuo a considerar que faz sentido falar de algumas formas de anti-anti-semitismo como um problema quando as reacções ao anti-semitismo são completamente desproporcionais face às reacções ao anti-catolicismo, ao anti-americanismo ou a qualquer outra aversão irracional.
Acresce que, e embora não seja o caso deste lúcido post, o anti-anti-semitismo atinge por vezes um grau próximo da histeria que por sua vez facilita a aprovação de medidas legais gravemente limitadoras da liberdade de expressão e que devem ser combatidas sem hesitação.
Em resumo: de acordo quanto ao anti-semitismo mas sem que tal implique que algumas manifestações de anti-anti-semitismo não sejam também um problema.
Caro André, Coloco aqui o comentário nº 15 ao meu post com as “vinte considerações”. De facto, fiz uma numeração em vez de um artigo para ajudar os comentaristas. Não foi com a intenção de publicar algum manifesto. O que disse no meu comentário foi o seguinte:
Pensei que tinha tornado claro a minha posição no comentário No.3, e também no post. É evidente que não,e alguns comentaristas não me entenderam.
Primeiro: Foi o governo austriaco a penalizar “holocaust denial”. Uma atitude demagógica para tentar mascarar o facto que este país não sofreu o processo de denazificação que ocorreu na Alemanha e os ex-nazis continuaram a exercer as suas funções. Contínuo a achar que classificar de “anti-anti-semitismo” este tipo de actuação não seja muito útil ou clarificador. Demagógico, se quizerem. Se prosseguirmos no caminho dos “antis” julgo que acabamos num regresso vicioso que não leva à parte nenhuma. Assim eu própria podia ser classificada de “anti-anti-anti-sémita” e os que me criticam de “anti-anti-anti-anti-semitas”. Enfim, como se vê, este tipo de rótulo não ajuda e parece-me pouco rigoroso.
Segundo, quanto ao histerismo de alguns que combatem o anti-semitismo, acho também que não podemos, nem devemos, pedir calma aos martirizados e os seus descendentes quando vejam resuscitar um monstro que devia estar morto e interrado.
Terceiro, eu não sei o que será racismo anti-islámico. Para mim é um novo conceito, consagrado pelas locutoras ignorantes da TV. O Islão é uma religião e os seus fieis pertencem a todas as raças.
Quem tem lido os meus textos ao longo dos últimos doze meses aqui e no site da Causa Liberal devia conhecer a minha posição sobre o Islão e que faço uma distinção clara entre o Islão e a facção radical do integrismo muçulmano. Escrevi sobre os quatro anos que passei num país muçulmano, a Argélia, onde trabalhei por e com argelinos. As únicas pessoas de quem não gostei nesse país eram os portugueses do PCP lá exilados que infernizaram a vida dos compatríotas. Mas evidentemente, essa atitude podia ser considerada por alguns de anti-portuguesismo.”
Só um último ponto, já sugerido acima. A história nos ensina que o excesso de zelo em reverter situações políticas frequentemente encontram-se nos que têm culpas no cartório.
Foi notório depois da libertação da França a actuação de alguns ex-colaboracionistas de caçar e punir selvaticamente as pobres raparigas acusadas de ter tido relações com os ocupantes. Nós cá constatámos o mesmíssimo fenómeno nos dias que se seguiram ao 25 de Abril de 74. Eu conheço pessoalmente cá na minha zona pessoas que, antes iam à missaa todos os dias, que correram para a sede local do PCP para se inscrever. A seguir tornaram-se os mais ferozes persguidores da “reacção”. Julgo que os elementos do governo austríaco e da Comissão da UE perseguem a sua política de “anti-anti-semitismo” por motivações semelhantes e para esconder a sua complacência com verdadeiros atropelos à liberdade cometidos pelos islamistas radicais.
Comentário por patricialanca — Abril 26, 2007 @ 1:38 pm
Podemos substituir anti-anti-semitismo por “caça-à-bruxa” porque o processo por vezes tem semelhanças.
Depois temos sempre o assunto Israel versus Judaismo (existem ortodoxos com bons argumentos teológicos contra a criação de um Estado antes da vinda do seu Messias).
depois,
parece-me evidente que nem a sua criação foi positiva para a sua segurança como parece ter sido desperdiçada todo o capital de simpatia que obtiveram após a “WWII”.
Em tom de piada, o sionismo parece mais uma conspiração anti-semita.
Parece-me que Israel tem uma grande responsabilidade em conseguir a “pacificação”. Como processo de emigração e declaração de Estado é um precedente tendencialmente explosivo. A Europa que o diga.
Assim, defender o judaismo do anti-semitismo é uma coisa. Defender Israel ou ser neutral, é uma questão de opinião e avaliação.
Comentário por CN — Abril 26, 2007 @ 2:14 pm