O Insurgente

Abril 7, 2007

Nunca. Jamais. Em tempo algum

Arquivado como: Política, Portugal — Miguel @ 9:14 am

Como seria de esperar, o PS não concorda com a proposta do PSD para privatizar o canal 1. Coube ao deputado Arons de Carvalho o papel de explicar porquê. Com argumentos irrefutáveis como se verá.

«É uma medida absolutamente populista e que contraria as posições que o PSD tem vindo a assumir nos últimos anos»

“Crime”, disse ele. O PSD mudou de posição. O PS nunca. Aliás, o programa socialista mantém-se inalterdo desde a sua fundação. Parece que, louvável é a coerência de homens tipo Álvaro Cunhal que apesar de defenderem ideias erradas durante toda a vida nunca alteram um virgula que fosse.

Nota: É, contudo, legitimo duvidar se uma vez regressado ao governo o PSD mantem esta posição

«O serviço público sairia mais caro, pois o canal 2 seria mais caro que é actualmente»

Uma argumento de peso. Vamos supor que os custos de produção e estrutura do canal 1 forem 1000 e os do canal dois forem 100. Com a privatização do canal 1, e ficando o estado reduzido ao actual canal 2, os custos do “serviço público” ascenderiam a 1100. Isto supondo que apenas seria privatizada a licença do operador e não haveria qualquer racionalização de custos. O sr deputado sabe fazer contas.

«É uma medida que prejudicaria gravemente o serviço público e a televisão portuguesa em geral»

Compreende-se. Programas de qualidade como o “Dança Comigo”, o “Preço Certo” ou “Um Contra Todos” nunca seriam oferecidos por um operador privado. Ficariamos todos mais pobres. Espiritualmente, é claro.

Nota: Ao contrário das más linguas, estou em crer que Arons de Carvalho não estava a pensar no “Tempo de Antena do Governo”, vulgo “Telejornal”.

«É uma proposta péssima», salientou, lembrando que é na RTP1 que se podem encontrar «os grandes debates, as grandes reportagens, os programas sobre a língua portuguesa, o humor de qualidade»

Presumo que seria impossível encaixar tudo isso apenas num canal público. É também provável que Arons de Carvalho nunca tenha pensado na hipótese do governo contratar a produção de programas que julgue serem de “serviço público” a operadores privados (como é defendido neste livro). Por último, não sei se quando fala no “humor de qualidade” se refere aos Gato Fedorento (que, imagine-se, apareceram num canal privado) se nos programas de Luís Filipe Borges.

Sem Comentários »

  1. “Nota: É, contudo, legitimo duvidar se uma vez regressado ao governo o PSD mantem esta posição”

    É legítimo e lógico para quem não tenha memória muito curta. E não esqueçamos que a actual Lei da Televisão (do tempo de Morais Sarmento) ao permitir publicidade sem limites no canal UM continua a beneficiá-lo em relação aos demais - especialmente se tivermos em conta que a programação deste canal é comercial e extremamente concorrencial em relação aos canais privados.

    «O serviço público sairia mais caro, pois o canal 2 seria mais caro que é actualmente»

    Não tenho nenhuma simpatia pelo Arons de Carvalho, mas neste aspecto ele é capaz de ter razão. O 2 é um canal que não dá lucro nenhum. Não sei a actual situação do 1, mas com as receitas de publicidade e a taxa (sim, ela existe meia oculta no recibo da luz) que nós pagamos deve servir para custear pelo menos uma parte do 2.

    ““Crime”, disse ele. O PSD mudou de posição. O PS nunca. Aliás, o programa socialista mantém-se inalterdo desde a sua fundação.”

    Nem o PSD provavelmente mudou a sua posição em relação a este assunto (não obstante esta proposta), quanto mais o PS! Desde quando é exigido a um partido socialista defender a privatização de um canal público?

    Boa Páscoa!

    Comentário por Pedro José Félix — Abril 7, 2007 @ 12:49 pm

  2. Vão ter que privatizar pois que os custos deste luxuoso gasto em rádios e televisões só é justificável em países ditos “socialistas”.E que esmagam os portugueses com impostos.E que têm inutilidades como a RTP África
    Ordenados milionários para satisfazer uma corte de amigos e cujo produto final é NEGATIVO para a NAÇÃO?Fechem , vendam!Eu não estou para pagar, com os meus impostos a tipos como os gatos fedorentos e muitas outras alimárias cuja único objectivo é advinharem o que os patrões gostam para se manterem na manjedoura.

    Comentário por SUBMARINO — Abril 8, 2007 @ 8:08 am

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