O Insurgente

Março 28, 2007

Re: Descer os impostos não chega

Arquivado como: Economia, Política, Portugal — André Azevedo Alves @ 5:03 pm

Julgo que neste seu excelente texto, o André Abrantes Amaral poderá ter sido um pouco injusto para com Marques Mendes. Sendo certo que o actual líder do PSD não demonstrou até agora ter um programa coerente alternativo à social-democracia de Sócrates, a verdade é que a proposta de descida dos impostos serviu pelo menos para denunciar por antecipação o que previsivelmente se passará nas vésperas das próximas eleições legislativas, em que o PS promoverá provavelmente uma ligeiríssima descida de alguns impostos para tentar apagar da memória da opinião pública o brutal e continuado aumento da carga fiscal que tem levado a cabo desde que assumiu o poder.

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  1. [...] O André Azevedo Alves acha que não fui muito justo com Marques Mendes, nesta análise. Não creio. Quando o governo estimou o défice das contas públicas nos 3.9%, o líder do PSD propôs a descida dos impostos, mas não explicou como previa descer as despesas. Se tivermos em conta que o ‘sucesso’ de Sócrates se deveu unicamente ao aumento das receitas, é mais que sabido que uma mera descida dos impostos implicará desperdiçar os esforços dos últimos dois anos. Assim sendo, a única solução está na redução das despesas que passa, necessariamente, pela diminuição da actividade do Estado. É neste ponto que se percebe o quanto a oposição a este governo é fraca. O PS acredita (e é o que tem tentado fazer) reduzir a despesa, optimizando a estrutura organizativa do Estado, mas não limitando a sua área de intervenção. Ora, partidos políticos, como o PSD e o CDS, para se apresentarem como alternativa em 2009, têm de dizer onde se deve cortar, onde a presença do Estado deve diminuir. Ser oposição não é apresentar apenas alternativas simpáticas impossíveis de cumprir depois de vencidas as eleições. É necessário ser um pouco mais pragmático. [...]

    Pingback por O Insurgente » Blog Archive » Re: Re: Descer os impostos não chega — Março 30, 2007 @ 1:57 pm

  2. “Ora, partidos políticos, como o PSD e o CDS, para se apresentarem como alternativa em 2009, têm de dizer onde se deve cortar, onde a presença do Estado deve diminuir.”
    Totalmente de acordo.
    Ainda não entendi porque é que o PSD (nomeadamente através de Miguel Frasquilho) continua a afirmar (e bem) que o PRACE deveria ter sido precedido de um debate sobre a extensão do Estado, mas depois se mostra incapaz para fomentar esse debate. Porque é que não o faz? Em que é que isso depende da vontade ou colaboração do PS? Não seria uma iniciativa desse género, se bem organizada, uma boa forma de afirmar “a sua alternativa” e esclarecer onde se posiciona (politicamente)? O que esperam então?

    Comentário por António Silva — Março 30, 2007 @ 3:49 pm

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