O Insurgente

Março 25, 2007

CDS/PP “goes medieval” em Óbidos

Arquivado como: Colunas, Política, Portugal — Bruno Alves @ 9:20 pm

A Semana Política
18/03/07-24/03/07

Ao fim da noite de domingo, a parte do país que estava a ver televisão foi presenteada com uma pequena amostra da festa que estava a decorrer num hotel de Óbidos. Os conselheiros nacionais do CDS/PP estiveram horas e horas a recrear batalhas medievais, mas só no fim abriram o espectáculo a quem quisesse dar uma olhadela. “Vergonha”, “palhaçada”, foram algumas das palavras usadas para descrever o que se passou lá dentro. Palavras similiares foram usadas para descrever o que se passou à saída. Depois dos insultos e ameaças de moções de censura que marcaram a reunião, ter-se-ão seguido mais insultos e outro tipo de ameaças. Tudo porque, no CDS/PP, não sabem como eleger o líder.

Paulo Portas quer eleições directas. Ribeiro e Castro quer um Congresso. Maria José Nogueira Pinto quer fazer a vida díficil a Portas e os seus apoiantes. Assim, de nada valeu maioria dos votos no Conselho Nacional, favorável a eleições directas. Nogueira Pinto considerou que as assinaturas de mais de mil militantes pedindo o Congresso tinham precedência, e foi um Congresso que marcou. A partir daí, começou a confusão.

No dia seguinte, Nogueira Pinto acusava os “cães de fila” de Portas de quererem “tomar de assalto” o partido. Telmo Correia (um dos ditos) acusou Ribeiro e Castro e os seus apoiantes de estarem “agarrados ao poder”. Ribeiro e Castro acusou Portas de mentir e “saber que mentiu”. Dias depois, Lobo Xavier propôs uma solução para este conflito: Paulo Portas aceitaria um Congresso, recuando na sua intenção de concorrer contra Ribeiro e Castro em eleições directas, e Ribeiro e Castro entregaria a organização do Congresso, não ao Secretário-Geral, mas a uma “comissão organizadora com pessoas acima de dúvida”. A intenção de Lobo Xavier é boa, mas nunca poderá passar daí. Ribeiro e Castro até poderia aceitar o recuo que Lobo xavier lhe propõe, mas o mesmo não se pode dizer de Portas. Pois Portas exigiu directas não por convicção, mas por interesse “estratégico”. E não apenas por, como notou o deputado “castrista” (salvo seja) José Paulo Carvalho, não querer depender do apoio dos membros da “banda”. Mas também, e essencialmente, porque se conseguir impôr a realização de directas contra a vontade de Ribeiro e Castro, consegue também uma vitória antes do confronto propriamente dito. Ao contrário do que tem sido abundantemente afirmado, Portas não subestimou Ribeiro e Castro. Por isso lhe quer impôr directas antes mesmo de lhe disputar a liderança. Por isso Ribeiro e Castro se bate tão arduamente por um Congresso. Por isso se torna tão violenta a discussão estatutária no CDS/PP, e por isso será impossível sair deste impasse de uma forma saudável.

Luís Mota Campos bem o percebeu. O CDS/PP “partiu” depois da “guerra de facções” ter chegado a “um ponto tal que não é possível encontrar um ponto comum”. Quando nem acerca do erro que é expôr os pêlos do peito de Paulo Portas os membros do CDS/PP conseguem chegar a acordo, não há mesmo volta a dar.

1 Comentário »

  1. Ohohoh! Este CDS e uma contradicao: e o partido onde se abrigaram justamente as pessoas que menos acreditam no processo democratico. Assim e dificil imaginar o partido a eleger os seus dirigentes com calma e educacao.

    Acresce que ninguem ali parece ter bebido cha. :-)

    Comentário por Filipe Castro — Março 25, 2007 @ 10:49 pm

RSS feed para os comentários desta entrada. TrackBack URI

Deixe um comentário

Blog em WordPress.com.