A Semana Política
21/01/07-27/01/07
Foi grande a expectativa dos deputados quando foi anunciado que o tema de debate mensal com o Primeiro-Ministro da passada quarta-feira seria o das alterações climáticas. Pois poucos assuntos têm preocupado a classe política como o aquecimento global. Especialmente o aquecimento global do hemiciclo, desde o dia em que as deficiências do sistema do ar-condicionado parlamentar fizeram o suar o Primeiro-Ministro como a oposição ainda não o obrigou. É uma preocupação compreensível. Em primeiro lugar para Sócrates, que sua e sabe como isso não “passa bem” em televisão (algo intolerável para o chefe do governo). Em segundo, para os deputados do PS, que não gostam de ver o seu menino sofrer. E em último, para a oposição, que não ganha nada em parecer menos eficaz que um aparelho defeituoso.
Mas não era este o centro das preocupações do Primeiro-Ministro. As alterações climáticas que ele tinha em mente eram as que supostamente fustigam o país e o mundo, não as que lhe custaram um fato Armani encharcado em suor moderno e progressista. A desilusão foi evidente na cara dos deputados. Mas caso o tema fosse abandonado, a desilusão estaria com os jornalistas da RTP, que passaram a semana a dizer como Portugal passara a enfrentar condições climatéricas “extremas” (um Brasil no Verão e uma Sibéria no Inverno, e não, como se poderiam fazer crer os índices de desenvolvimento, uma Etiópia o ano inteiro) só para que, no debate, Sócrates pudesse explicar como nos iria salvar mais uma vez. Para que esse esforço não tivesse sido feito em vão, preferiu a tristeza dos deputados. Para eles, a única fonte de animação do debate foi o desafio que era manterem-se acordados durante o soporífero discurso de Sócrates (este vosso escriba, sentado no recato do lar, fracassou em grande estilo e sonoro ressonar).
E poucos foram tão eficazes como os deputados do PS. Enquanto Sócrates anunciava como nos salvaria do Apocalipse, ao “fazer mais barragens” e aumentando o consumo de “biocombustíveis” e os impostos das lâmpadas de alto consumo, os deputados socialistas competiam pelo posto de detentor do mais entusiástico aplauso. Não deixa de ser um esforço inglório, pois só Alberto Martins tem a vantagem dde ser líder parlamentar, e nem o mais vigoroso aplauso aquece o ego de Sócrates como os elogios de Aberto Martins, ou a sua imensa curiosidade em saber se o Primeiro-Ministro irá “continuar a demonstrar a coragem que tem pautado a sua acção até aqui”.
Na sua intervenção, Marques Mendes preferiu ignorar o tema do discurso governamental (provavelmente, também não conseguiu resistir ao seu poderoso efeito embalatório), e atacou a política anti-corrupção do Governo. Alguns membros da sua bancada talvez quisessem mais “vivacidade”, mas quem poderia demonstrar vivacidade depois de um discurso como o do eng. Armani? Certamente não este vosso criado, que voltou a adormecer aquando da intervenção de Francsco Louçã, não sabendo por isso o que ele disse (aliás, como costuma acontecer ao próprio, que certamente se perde no imenso mar de demagogia em que costuma navegar).
Chocante foi a intervenção de Pedro Mota Soares, deputado do CDS/PP, que ao considerar “estranhas” tanto “a colagem do PSD a João Cravinho” como a “do Governo a Maria José Morgado”, atacou outros alvos que não o líder do seu partido, e logo três de uma vez. O PCP, por sua vez, concentrou as suas atenções no mediático tema da “falta de assistência médica no Alentejo”, mas na realidade, estava apenas chateado por o PS ainda não ter levado a cabo um vasto programa de nacionalizações.
Mas o pior dos debates com temas como este é o facto de alimentar na própria cabeça dos deputados d’Os Verdes a ideia de que são um verdadeiro partido ambientalista, e não um mero satélite do PCP. Este vosso correspondente imagina que Heloísa Apolónia tenha acusado o Primeiro-Ministro de não prestar a devida atenção ao sacrossanto Protocolo de Quioto, mas não o pode confirmar, pois foi à casa de banho nesse momento.
“Mas o pior dos debates com temas como este é o facto de alimentar na própria cabeça dos deputados d’Os Verdes a ideia de que são um verdadeiro partido ambientalista, e não um mero satélite do PCP. Este vosso correspondente imagina que Heloísa Apolónia tenha acusado o Primeiro-Ministro de não prestar a devida atenção ao sacrossanto Protocolo de Quioto, mas não o pode confirmar, pois foi à casa de banho nesse momento.”
Comentário por André Azevedo Alves — Janeiro 29, 2007 @ 12:57 am
e continuam os direitistas e negar as evidências…
Comentário por The Observer — Janeiro 29, 2007 @ 12:09 pm