A Semana Política
31/12/06-6/01/07
Há alguns dias, milhões de portugueses gritaram, num misto de alegria e bebedeira, “adeus 2006, olá 2007″, parecendo considerar que com o andar do ponteiro, não seria apenas o ano a mudar, mas também as suas vidas. Logo por azar, o ano não começou da melhor maneira, tendo os festivos de lidar com a ressaca da bebedeira da noite anterior. Podemos não saber se os governantes ou os líderes dos partidos da oposição seguiram o exemplo popular, mas não será difícil de imaginar o que desejam para o novo ano.
É de esperar que, ao contrário de uma parte significativa do eleitorado, o dr. Marques Mendes se tenha mantido sóbrio. Bem vai precisar de estar. Algumas figuras acabaram o ano a preparar o assalto ao trono da Lapa, e não irão agora descansar. Se Santana Lopes vê no vazio um exército pronto a lutar ao seu lado, como D. Quixote via nos moínhos inimigos, o dr. Menezes vê em si próprio a salvação, e até o dr. Morais Sarmento parece querer compensar a suposta falta de “carisma” de Marques Mendes com a oferta da sua pessoa, substituindo a “falta de ideias” do actual líder do PSD pela “credibilidade” de quem abriu os braços para ir segurando (precariamente, como se viu) Santana Lopes.
No CDS/PP, Ribeiro e Castro não teve razões para ficar feliz em 2006, e menos tem ainda para esperar melhor de 2007. A ruptura com o grupo parlamentar agrava-se a cada dia que passa, e nem a certeza de que, no buraco que ela cria, também a “banda” irá cair, deverá servir de grande consolação ao actual inquilino do Caldas.
Em São Bento, Sócrates parece embriagado com o poder, como se acreditasse que tudo o que há de bom no mundo é da sua responsabilidade, e tudo o que é mau irá ser por ele eliminado. Não é de espantar que assim pense. Alberto Martins, líder da bancada parlamentar do PS, disse-o tantas vezes nos debates mensais de 2006, que seria inevitável que o Primeiro-Ministro trouxesse na cabeça essa ideia para 2007. É a única convicção que se pode dizer que Sócrates possui, a de que ele é tudo o que Alberto Martins diz que ele é. O Governo bem pode ser acusado de desonestidade pela oposição (e exemplos dessa desonestidade serem referidos pelo Tribunal de Contas), que com uma comunicação social que olha para Sócrates como uma adolescente apaixonada olha para o seu namorado, não será por isso que o Governo passará a ter dores de cabeça. Aliás, se Sócrates deseja algo para o novo ano, é que as economias europeias vão crescendo alguma coisa, para que ele possa continuar a fingir que aquilo que fingiu andar a fazer até dá resultados. Ao contrário dos outros partidos, o PS deseja que o novo ano seja igual ao anterior. Talvez deseje que a dra. Ana Gomes esteja um bocadinho mais mais sossegada, mas esse é um sentimento que qualquer português sensato compreende, e que até pode partilhar.
O Alberto Martins andou a ministro da reforma tanto tempo e é agora que ele vai resolver o assunto…
Comentário por RACIONAL — Janeiro 7, 2007 @ 10:57 pm
Excelente e promissora estreia.
Comentário por André Azevedo Alves — Janeiro 8, 2007 @ 1:30 am
Comentário por lucklucky — Janeiro 8, 2007 @ 9:15 am
[...] Para quem ainda não leu, destaco a estreia da nova coluna do Bruno Alves: A Semana Política. [...]
Pingback por O Insurgente » Blog Archive » A Semana Política - Trará o novo ano uma nova vida política? — Janeiro 8, 2007 @ 3:46 pm