O Insurgente

Dezembro 30, 2006

Os liberais e a “Direita à Portuguesa”

Arquivado como: Política, Portugal — André Azevedo Alves @ 5:28 pm

SalazarVitório Rosário Cardoso, em comentário a este post, escreve, aparentemente em tom crítico, que os liberais “sempre estiveram contra o Estado Novo e contribuiram para a destruição do Império”.

Pela minha parte (e, suspeito, da generalidade dos liberais), pode VRC ficar descansado que não pretendo disputar-lhe a ele nem aos seus correlegionários o monopólio da defesa do Estado Novo. Aliás, só é compreensível que VRC tenha ficado com essa impressão por cair no erro de “ler” O Insurgente pelos olhos da extrema esquerda, uma prática que não se recomenda a quem se identifica como sendo de “Direita” , mesmo que seja uma “Direita à Portuguesa”.

Leitura complementar: Hayek sobre ditaduras, democracias e Salazar.

10 Comentários »

  1. Quer-me parecer que o que distingue a direita liberal dessa outra direita que se arroga de dona da “portugalidade”,neste ponto em concreto,é que a primeira consegue separar o trigo do joio:entende que Salazar foi,sem dúvida alguma,um grande português que teve um papel fundamenbtal,ao resgatar Portugal do buraco sem fundo onde os republicanos da 1ªgeração o deitaram,e só assim se compreende que tenha lutado para que figurasse na lista de “grandes portugueses”,proposta pela RTP,mas também reconhece os excessos por ele cometidos,lamentando que não tivesse arrepiado caminho quando lhe foi possível-talvez os nossos laços ao Império se mantivessem…

    Comentário por Cristina Ribeiro — Dezembro 30, 2006 @ 6:50 pm

  2. talvez os nossos laços ao Império se mantivessem…

    Que laços, considerando que não estamos a falar dos políticos?

    Comentário por AntónioCostaAmaral (AA) — Dezembro 30, 2006 @ 7:21 pm

  3. Se Salazar tivesse,a determinada altura,liberalizado o regime,não teria dado espaço a infiltrações esquerdistas extremistas,pelo que não teríamos a lamentar uma descolonização desastrosa,criminosa mesmo,tudo se passando de uma forma pacífica-é,pois,aos laços afectivos que me refiro.

    Comentário por Cristina Ribeiro — Dezembro 30, 2006 @ 10:29 pm

  4. Cristina, não a sabia tao defensora da liberdade, ao falar em laços ao império, que na realidade i imperio era de terra conquistada aos outros e à usurpação das suas liberdades.
    Acho que está a ser um pouco contraditória.

    Comentário por The Observer — Dezembro 31, 2006 @ 10:42 pm

  5. Observer,primeiro achei que,face ao que escreveu,apenas lhe deveria dizer que os laços podem ser de vária natureza,não necessariamente de dependência…; mas depois achei por bem concretizar melhor:o que eu acho é que a descolonização,como foi feita,abriu muitas feridas,inclusive entre os autóctones(e sei do que falo pois que tenho um amigo angolano,que reside lá).
    Além de que estou convencida de que nem todos os os povos das nossas antigas províncias ultramarinas desejavam essa independência(uma coisa que não pode ser imposta)-tenho em mente o caso de Timor,pois parece-me(atenção:parece-me!)que isso lhes foi imposto por um grupelho sangrento,não representativo da vontade popular…;penso que tudo deveria ter sido feito de modo diferente,que passava mesmo pelo plebiscito,no momento certo,o que pouparia muitas desgraças-mas Portugal achou por bem demitir-se das suas responsabilidades…

    Comentário por Cristina Ribeiro — Janeiro 1, 2007 @ 9:50 am

  6. Continuo a acahar incrivel falar pela voz dos povos ao achar que eles nao queriam a independencia. Primeiro, os indigenas eram qualificados cidadãos de segunda, um pouco acima de escravos, e segundo, toda a África se tornou independente, porque carga de água seriam as antigas colonias portuguesas a nao kerer independencia.
    Quanto à descolonização, toda a gente sabe que nao foi bem feita, foi a possivel, devido ao adiar que o vosso idolaterado Salazar nao resolveu por ter um raciocínio atrasado e serrano.

    Comentário por The Observer — Janeiro 2, 2007 @ 1:19 am

  7. Caro Insurgente,

    Antes de mais, um Bom Ano.
    1. Quanto à relação entre os liberais e o Estado Novo e o Império apenas citei um facto e não como se insinua “…escreve, aparentemente em tom crítico…”, pois cada qual é aquilo que é e por isso se dentro da sua perspectiva acha que tem uma posição correcta, logo terá de certeza as suas claras razões, então não há necessidade de deturpação do sentido da discussão.
    2. A meu ver, o actual politicamente correcto, plagiado à extrema-esquerda e outras sinistras têm sempre afirmações e posições semelhantes a esta “Pela minha parte (e, suspeito, da generalidade dos liberais), pode VRC ficar descansado que não pretendo disputar-lhe a ele nem aos seus correlegionários o monopólio da defesa do Estado Novo.”, logo, mais uma vez tentando-se associar o Estado Novo à chamada Direita à Portuguesa ou outra qualquer.
    Pois bem, o Estado Novo, que começou como um Estado Conservador e Católico, durante o desenrrolar dos anos, a verdade é que se tornou apenas e somente em Estado e nada mais, numa máquina.

    3. “Aliás, só é compreensível que VRC tenha ficado com essa impressão por cair no erro de “ler” O Insurgente pelos olhos da extrema esquerda, uma prática que não se recomenda a quem se identifica como sendo de “Direita” , mesmo que seja uma “Direita à Portuguesa”.”, só poderei concluir, que o Insurjente mais uma vez utilizou a práctica da insinuação sem fundamento. Espero que tenha reparado, mas foquei a questão do politicamente correcto, corrente dominante do actual regime em Portugal (de centro-esquerda) , que na maioria das vezes, serve de “chapéu de chuva” para os chamados liberais. Foi a isso que quis chamar atenção.

    4. Quanto às questão do Império, essa questão é uma questão que requer em primeiro lugar, conhecimento histórico, a partir de uma visão não marxista, ou seja de uma visão não materialista da história. Em segundo lugar, para a compreensão do modus vivendi do Império e o Império em si, é muito importante o factor empírico, pois sem ele, não é nada fácil de se entender, pricipalmente para aqueles que apenas vivem imersos no mundo livresco político-filosófico. Eis a diferença do Ser e do Dever Ser.
    No mundo, existem costumes e tradições milenares que são altamente antagónicos ao liberalismo que são e continuarão a ser de facto os pilares organizativos que sustentam grandes civilizações.
    O que, e muito bem, soube a tradição imperial portuguesa fazer, foi justamente manter e respeitar os modos organizativos milenares dos Povos, nas suas diferentes realidades e percepções sobre o Mundo e o Tempo.
    Sobre os que apenas choram por Timor, porque talvez pareceu que isto ou aquilo, ou quando se ignora de facto as realidades locais e a força da lealdade do Povo Português Ultramarino, em África e na Ásia, é de facto desconhecerem Portugal.
    Só posso tirar o chapéu à propaganda do pós 25/4, que muito tem surtido efeito, nas gerações lusas de hoje…
    É inadmissível que hoje em dia as discussões, até das pessoas de boa fé, que nunca tiveram grande interesse em aprofundar estas questões sobre o Império, estejam ou que tenham ainda de se apoiar em argumentos totalmente mentirosos e propagandísticos comunistas e socialistas, de entre outros oportunistas, que bombardeiam todos os dias os leitores, espectadores e ouvintes.
    Portugal e a sua alma, são de dimensão muito maiores do que aquilo que muitos pensam, é só pegarem em malas e viajarem um pouco, sem visões complexadas de esquerda ou colonialistas, apenas com o peito enchido de orgulho da Pátria e espírito universalista, como Camões ou Pessoa.

    Saudações,

    Comentário por Vitório Rosário Cardoso — Janeiro 2, 2007 @ 4:51 am

  8. Homenagem seja feita aos Portugueses Timorenses, o Povo Luso do outrora Império Português do Oriente, que nem a sombra da Bandeira Nacional pisam e que a par de Deus está a Pátria Lusitana, ao contrário de certos actuais “Pais da Pátria” que para um deles até a Bandeira Nacional serviu de trapo do chão no exílio… Deverá ser talvez este último exemplo, o do “Bom Português”, segundo os padrões do politicamente correcto?

    Os Portugueses Macaenses? Não se falam deles porquê? Porque sempre foram e são Integralistas Nacionais?

    Os Portugueses de Goa, Damão, Diu e Nagar Aveli? que têm a dizer? Do que conheço são mais portugueses e patriotas do que muitos portugueses nascidos no “Rectângulo”…

    Os Luso-Malaquenhos (auto intitulados Portugueses de Malaca) que sempre defenderam e defendem com unhas e dentes, o orgulho, honra e pertença à Pátria Portuguesa, sob pena de ter de se sujeitarem a situações difíceis na vida, visto que vivem num país muçulmano e de etnia dominante malaia.

    Os Bayingis, luso-descendentes na Birmânia, que ainda mantêm a práctica das tradições lusas no meio do mato… Será que os portugueses do rectângulo não querem conhecer ou não conhecem mesmo Portugal?

    E por aí fora…

    Tenho é pena que nos Descobrimentos, tenha partido grande parte da Elite Portuguesa para criarem Portugal pelo Mundo fora, e que seus descendentes não tenham regressado ao “Rectângulo”, permanecendo apenas os outros…que deram em grande parte corpo ao actual grupo de políticos e governantes.

    Comentário por Vitório Rosário Cardoso — Janeiro 2, 2007 @ 5:22 am

  9. [...] Transcrevo de seguida dois comentários de Vitório Rosário Cardoso ao meu post Os liberais e a “Direita à Portuguesa”. Caro Insurgente, [...]

    Pingback por O Insurgente » Blog Archive » Os liberais e a “Direita à Portuguesa” (2) — Janeiro 2, 2007 @ 7:09 pm

  10. Exmo(a). Senhor(a),

    Solicito que sejam apagados todos os comentários assinados com o nome “vitório rosário cardoso” uma vez que foram publicados por um “clone”, que tem como intenção de denegrir e difamar.

    Este caso já está a ser seguido pelas autoridades policiais competentes.

    Atenciosamente,
    Vitório R. Cardoso

    Comentário por vitorio rosario cardoso — Julho 23, 2008 @ 4:46 am

RSS feed para os comentários desta entrada. TrackBack URI

Deixe um comentário

Blog em WordPress.com.